A Joana é "amiga" dos tempos (bons) do Padre António Vieira.
Depois tirou o mesmo curso que eu e chegámos a estudar juntas na mesma biblioteca... Mas depois: falávamos demasiado, ela, já na altura fumava em demasia e por isso, para muito "desgosto" nosso, ficávamos no café da biblioteca a discutir, muitas das vezes, o "indiscutivel". Daí que, muito do nosso estudo tenha sido feito "às três pancadas"... Na altura brincávamos com isso porque sempre dizíamos, já com o curso tirado: "Uma pancada ficou contigo e a outra comigo mas... e a terceira????"
Escusado será dizer que neste meio tempo a vida se encarregou de nos fazer cruzar com muita gente "pancadística" e com muito trabalho cheio de pancada!
Entretanto, a Joana deu "o salto" que foi criado por mim e mais uma meia-dúzia de parvos que acreditavam poder mudar o mundo. Passou a ter consultório próprio. Assento num dos EMPREGOS mais porreiros que se pode ter. E ainda escreve para meia-dúzia de pasquins e um jornal sério.
Assim, conhecida por ser rapariga ocupada, foi com estranheza que recebi o seu telefonema numa destas noites a perguntar-me: "E então o que achaste?". Logo com um inicio surreal apostei num: "Boa noite!". "Claro claro - respondia a voz do outro lado - sim e como estás?"
O que se seguiu foi indiferente... porque no fundo o que ela queria falar era sobre um dos seus textos: "Criei um monstro". E durante mais de 12 minutos dissertou sobre política, futebol, cinema... Tive de a interromper e dizer: "Por muito que eu goste de estar ao telefone - que não gosto - que tal veres os meus olhos e saborearmos um café?"
Dito e feito... e depois em vez de 12 minutos foram 5 horas e tal de belo jantar oferecido pelo tal do belo Emprego que ela tem!






