sábado, 31 de maio de 2008

Imaginário a mais

Era uma vez

Naquele dia,

Quando abri a cortina

Sentei-me naquele banco de jardim e

Subitamente

Num esgar os seus olhos fixaram-se nos dele.

Foi assim que

...

Hoje não há sushi.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Ice Ice Baby - Vanilla Ice

Sim, estava na moda na altura, sim eu ouvia...e gostava(?)... mas esta versão é melhorada:

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Vivência 33...


Acabei de ler ontem a Sonata de Kreutzer de Tolstoi, li outras obras dele sem nunca o compreender de facto, ao contrário desta vez - burrice certamente ou pura falta de visão - para o caso, porém, não interessa.
Na Sonata, Tolstoi fala do ciúme, contudo, o essencial não está no que ele diz mas, eventualmente a forma como escreve sobre o assunto e o que daí poderemos retirar. Trata o ciúme, como se fosse uma obra-prima, provavelmente porque ele próprio era de natureza doridamente sensual e, terrivelmente ciumenta.
Não obstante, depois de se ler a obra, optamos por ser Tolstoi (irão compreender se lerem) ou por sermos algo diferente e, por vermos que o ciúme, na sua essência não passa de uma forma mesquinha e desprezível de vaidade. Também eu, conheço bem esse sentimento. Conheci-o, senti-o e vivi-o de forma intensa. Quase me matou. Ainda assim, nada a lamentar, porque entretanto já paguei um elevado preço para vencer a vaidade.
Venceu-se o ciume, ganhou-se a racionalidade. Só somos, fundamentalmente ciumentos por duas razões: uma, porque deixamos o "verme" reproduzir-se e tomar conta de nós sem sentido, outra, porque quem está ao nosso lado, nos dá razão para acreditarmos que o ciúme é a coisa mais acertada a sentirmos apenas porque não nos dá nada de novo: nem amor, nem atenção, nem orgulho, nem companhia, nem... Enfim, dá-nos a pouca coisa que tem: a sua enorme vacuidade, o seu imenso nada! Ah, quase me esquecia, dá-nos também a noção ilusória, fantasiosa de que somos especiais em algo que nunca fica bem definido, expresso, dito...
Há uma forma de matarmos essa espécie de doença que se apodera em pouco tempo tempo de cérebro, coração, sangue e bílis e, que de certo modo, nos vai danificando alma e corpo, é uma espécie de fusão entre a demência e a loucura para a qual, creio, ainda não inventaram nome mas que denomino de Alzheimer-Psicótica.
Não damos por ela mas, aos poucos vai-se cedendo a todas as manias, mentiras, perseguições silenciosas, abusos calados que nos vão fazendo e no fim, impõem-nos uma forma de estar, uma vida inteira de contenção verbal e física. No fim, o "animal" quebra da pior forma: afasta-se da sua boa humanidade, nasce nele uma mágoa incontrolável e por fim, que nem leoa ferida, deita-se à sombra do embomdeiro e espera morrer.
Foi assim que um dia, bem antes de ler Tolstoi, entendi que o ciume naquela força humilhante, não faz "mossa" ao outro (o outro, recordem, é vazio, também de sentimentos) mas, em reverso da medalha, destrói-nos o sorriso que em tempos gostávamos de ver reflectidos no espelho e isso, é a forma mais triste de, também nós, nos tornarmos em nada.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

maGIcais ao sushi #15

Num lírio descansando
a formiga que labuta,
pensa: "Que vida filha da *uta"

segunda-feira, 26 de maio de 2008

BURACO NEGRO I


Imagem Google

"Existem astrónomos, que acreditam que os buracos negros são possíveis passagens para outros Universos ou então para pontos diferentes do nosso Universo e que através deles, é possível o nascimento de um novo Universo. Assim sendo, o Homem poderia viajar através do espaço e percorrer longas distâncias em pouco tempo".

Esta visão, não comprovada, dos cientistas, permite todas as interpretações...das mais prosaicas às mais ousadas e fantasiosas.
Convicções à parte, parece-me sempre que do outro lado do funil absorvente do buraco negro, se encontra um mundo paralelo a este em que vivemos e onde tudo se passará ao contrário, como se de um dicionário de antónimos se tratasse:

Onde se lê guerra lá seria paz...
Onde se lê ódio lá seria amor...
Onde se lê viagem lá seria pensamento..
.
Que bem se viverá nesse mundo às avessas...

Onde a nossa fome de pão será abundância de trigo
Onde a nossa sede de vingança será manancial de justiça
Onde os gestos de violência serão afagos de ternura
Onde os loucos serão realmente detentores da Verdade!

domingo, 25 de maio de 2008

Experiência 1


Um dia veio ter comigo uma mulher...
Amava tanto outra mulher que a matou.
Não a matou com uma faca, nem veneno mas, porque não lhe dava tréguas, queria-a toda para si queria subtrai-la do mundo. Tinham discutido longamente. Um dia a mulher, a outra, cansada, de tanto pedido, de tanta trégua, de tanta verdade, cansou-se e morreu.
A outra mulher sabia porquê. A mulher partira porque estava, pura, simplesmente... cansada de tanta discussão.
O amor também se pode transformar num enorme egoísmo. É preciso amar com humildade e ter fé. - (a primeira parte julgo já ter aprendido a segunda creio nunca vir a aprender).
Há algo em nós, e que eu chamo de "anima", que está desprovido de valores económicos mas, repleto de uma verdadeira fé. Fé essa que é a única que nos faz suportar uns aos outros e... claro, o mundo! Não sejamos cínicos é isso, ou dinheiro que nos faz continuar...
No entanto, voltando à historia principal do texto:
A falsidade na sua concepção mais atroz, decadente, menos ética e bíblica, traz às pessoa certos proveitos: Omitir a sua condição, ou mostrar-se de forma diferente para ganhar algumas vantagens ou para obter lucros, a ascensão social, ou até para desmoralizar outras pessoas entre outros, "correctamente", de tudo um pouco... porém, dizem (dizem!!!!) que quem ama sem humildade tornar-se-á um grande peso para o outro e, acima de tudo, para si!
Não será por acaso que as almas apaixonadas são orgulhosas... julgaremos, portanto, que também sofram muito!
Azar... o dos fracos!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Vivências 32...


"Natália,

O Carlos morreu, sento-me à beira da sua cama, não há mais ninguém para o chorar, no rosto dele não existe mágoa, saudade, raiva, desejo, vingança ou clemência, nada, nada... Apenas uma suprema perfeição de indiferença pura.

O Carlos um dia veio ter comigo, antes de toda esta loucura, antes desta falta de sono, destas emboscadas, abafados neste calor que não suportamos e disse-me, que amava tanto a mulher que tinha medo de a perder.

Relatou que no passado que não lhe dera tréguas, que era egoísta, orgulhoso e pouco humilde, e que, acima de tudo, nunca lho dissera.

Há pouco confessou-me que a mulher não o deixou, apenas porque veio para o Ultramar, e que aqui nesta distância abissal, o mundo, a violência... a selva... o tinha tornado, inesperadamente mais humano, eventualmente... mais digno dela.

Entendeu, nos seus últimos momentos de oxigénio que aquela forma passada de ser era apenas uma forma medíocre de estar com os outros e que isso o fazia, o tornava, também, menor!!!!!!!

Portanto, a selva, horas antes de o matar, ensinou-o a amar... equilibradamente. Até ali a sua paixão desmesurada tornara-o no homem com quem poucos gostariam de " tomar um copo", e de quem poucas mulheres se aproximavam... Agora sabia, que o verdadeiro amor é infinito, é paciente e sabe esperar.

Natália, escrevo-te, de novo em tão pouco tempo, porque esta nossa distância me parece a cada dia mais insuportável... Queria saber tudo o que sinto e o que me faz falta de ti, do meu mundo, do nosso mundo...

Mas sabes, mais medo tenho dessa "espécie de vida" que o Carlos experiênciou e que nem consigo descrever...

Até já, espero,

António."




António voltou... mais ou menos bem do Ultramar... Levou depois Natália a visitar, de mochila às costas, todo o país, dizendo-lhe: "ÉS MUNDO!".

Uma ideia ainda hoje o atormenta de forma única, como ao seu camarada e amigo Carlos: Já nada deseja... Apenas a VERDADE!


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