quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Vivências 46...


Dizia-me uma amiga, companheira, bom conselhereira que se eu continuasse a "marrar" no barro como o fazia e se continuasse a "estragar pincéis e acríulicos" como estragava que mais cedo ou mais tarde as coisas dariam o seu fruto...

Não deu para fazer dinheiro mas dia 22 deste mês inaugurei uma nova exposição e dia 30 vou estar representada com uns trabalhos noutra... (salão nobre do Clube desportivo de Paço de Arcos - mesmo no centro da vila)

Não é aí que vou buscar o dinheiro para pagar as contas mas certamente, é aí que vou buscar a pouca sanidade mental que ainda me vai restando.

Ainda não posso dizer como os ingleses Thank God It´s Friday (TGIF) mas... a sexta, a verdadeira, a séria, já esteve bem mais longe!!!!!!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Experiência 15


Gaia, Géia ou Gê era a deusa da Terra, como elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora. Segundo Hesíodo, ela é a segunda divindade primordial, nascendo após Caos.

Tal como Caos, Gaia parece possuir uma natureza forte, pois gera sozinha, Urano, Pontos e as Montanhas. Hesíodo sugere que ela tenha gerado Urano com o desejo de se unir a alguém semelhante a si mesma em natureza. Isso porque Gaia personifica a base onde se sustentam todas as coisas, e Urano é então o abrigo dos deuses "bem-aventurados".

Gaia, como o amor, a amizade entre outros sentimentos mais ou menos humanos é uma hipótese, não os vemos, não os conseguimos transformar em algo palpável mas, diz a maioria que os sentimos...

Quando é que então sabemos que o que sentimos é a tal força geradora de algo maior do que nós ou apenas estivemos enganados?

Quando é que então sabemos se estamos certos ou errados em darmos uma outra hipótese a nós, aos outros ou sequer às coisas que nos vão ocorrendo no dia a dia e as pessoas nos dizem ser verdade?

Quando acreditar?
Quando não acreditar?
Quando esperar?
Quando seguir em frente?
Quando... ... ...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

BURACO NEGRO XIII

Imagem Google

Hoje também eu sou uma sequência de círculos de luz sugados pela infinita força da atracção de um buraco negro.
Que como todos os do universo real, não se vê.
Sabe-se que existe, sente-se o efeito mas não se pode fugir dele.

Há uma constância nesta coisa de se saber bem que eles andam por aí.
Que olhando atentamente a forma como a luz se deforma os podemos adivinhar. Mas não sabemos ou não queremos fugir deles.

Ou já nos habituámos a viver com esta atracção pelo abismo ou se tornou uma dependência perigosa gostar da força poderosa que nos agarra e que à menor hesitação nos engolirá sem apelo nem agravo.

Gostaria de dizer como o poeta "...não vou por aí".

Mas vou, vou sempre.
Pelo lado mais perigoso da estrada.
Pelo beco menos iluminado.
Pela rua que talvez não leve a lugar nenhum.

Teimosamente sou um ponto sugado, num circulo luminoso, à beira do desastre ou da redenção.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vivências 45...


Nietzsche escreveu um dia, numa das suas obras que mais vezes li ("Humano, Demasiado Humano") que podemos sempre prometer acções, mas não sentimentos. Fazia tempo que já não lia esta obra e, talvez por isso talvez tenha esquecido os seus "ensinamentos "...

O princicipio a que se referia, estava subjacente ao facto de que, segundo o autor, quem promete a alguém amá-lo sempre, ou odiá-lo sempre, ou ser-lhe sempre fiel, promete algo que não está no seu poder.

Contudo, ainda na sua opinião, o que se pode perfeitamente prometer são aquelas acções que, na verdade, são geralmente as consequências do amor, do ódio, da fidelidade, mas que também podem emanar de outras razões: uma acção conduz a diversos caminhos e motivos.

Assim e como aprendi esta semana, a promessa de amar sempre alguém significa, portanto, apenas o seguinte: enquanto eu te amar, manifestar-te-ei as acções do meu amor; se eu já não te amar, pois que, as minhas acções demonstraram isso mesmo. Obviamente que, depois de pensarmos um pouco, nada é tão literal, óbvio ou preto no branco.

Porém, em dois anos (é muito tempo, eu sei) aprendi então que: desprezo não é amor, não comunicação não é amor, mentir não é amor, estar com outro em vez de nós não é amor... ... ...

Demorou, mas encaixou!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Experiência 14


As mulheres são, usualmente bichos estranhos, vulgarmente comparadas às Hidras, e muitas vezes sendo-o, o homem tem por fraqueza, burrice ou puro desconhecimento a tentação de se lhes submeter até a própria auto-estima.

Um amigo de longa data contava hoje num café, com vista sobre a cidade, que vivia com uma rapariga (amiga sua de longos anos) e que a dada altura, porque não tinham mais nada de interessante para fazer, juntaram-se. No meio da "tanta coisa interessante" já lá iam uns belos 5 meses de "ajuntamento" que ao fim de pouco tempo se veio a revelar perigoso.

Logo nesse momento a minha pergunta interna foi: Porra mas se como amigos as coisas corriam tão bem, porque raio tiveram de estragar tudo???? Mas mantive o silêncio e ouvi cuidadosamente o relato...

No 1º mês contava ele, ainda havia amizade, sexo com fartura e interesses partilhados... depois, não sabe muito o que lhe deu a ele ou a ela (fiquei com o "feeeling" que foi aos 2) aos poucos as coisas foram desaparecendo... Tipicamente masculino, a primeira coisa pela qual ele deu falta foi do sexo, em palavras do próprio: Oh pá, a nossa espécie pensa no bem da humanidade e, logo, na reprodução... descuidada, maluca e sem quaisquer tipo de preocupações sexualmente transmissíveis.

Fiz cara de poucos amigos e percebi logo ali que o restante não podia ser coisa boa...

Continuou a descrição dizendo que depois, começou a perceber que cada vez jantavam menos vezes juntos, se viam menos vezes no mesmo espaço físico (a tal da casa) e que, o cúmulo veio no dia em que descobriu que ela até lhe batia...

Aí a cara de poucos amigos passou a ser a de "furibundo" porque, achei que ninguém descobre que outrem nos bate... assim, de repente, a coisa SENTE-SE! Não?

Pedindo-lhe esclarecimentos acerca de tão fantástica descoberta, a resposta veio em forma de soco no estômago quase em pezinhos de lã: Sabes bem que as "gaijas" às vezes se passam e atiram coisas, partem pratos e tal e um dia começou a fazer isso mas a fazer pontaria a mim... Um cinzeiro uma vez partiu-me a cabeça e ela até me levou ao hospital e...

A dada altura comecei a sentir náuseas e uma imensa vontade de Eu próprio lhe bater... Como somos amigos há muitos anos, limitei-me a levantar-me e a ir-me embora! Sem mais! Não havia ... desculpem a expressão: CU!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

BURACO NEGRO XII


Hoje tudo começou bem...o dia, o tempo, a tua presença!
Depois foi correndo bem... o trabalho, o tempo, a tua ausência!
Agora o dia caiu, o trabalho acabou e tu não vens!
Um dia quase perfeito pode, de repente, tornar-se assim numa falta de vontade de estar, numa corrente angustiada de perguntas, numa sequência inventada de respostas...
Porque tu não vens!
Lembro bem o tempo de estar aqui sem angustias e sem medos, o tempo em que o cair da tarde era apenas o fim de mais um dia, o antes do amanhã, o sossego e a quietude.
Lembro esse tempo sem pena...daqui a pouco vais chegar...
E o abraço que trocarmos vai saber a todas as certezas...
E o nosso sorriso vai iluminar a sala onde nem as luzes, agora, estão acesas.
Porque tu não estás!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Vivências 44...


Por diversas vezes acreditei que podia encontrar a felicidade se conseguisse subverter o mundo para o fazer entrar no verdadeiro, no puro, no imutável, no que eu imaginei. E que esse mundo imaginado não era assim tão difícil de se gostar: em termos de leis, de sentimentos... puro!

Depois recordei que se eu própria não era pura teria de me fazer... e depois disso, achei que isso mesmo, iria levar muito tempo e que paciência desde logo, não era o meu forte. Pensei então que o mundo como estava e como era talvez não fosse mau de todo.

Encontrei-me muitas vezes no outro comum, com o outro amado com o outro distante. Entre muitas outras coisas, foi neste mundo real que me entrava esqueleto adentro, que aprendi a ter como janela para ver novas ruas, realidades e formas de estar. Sozinha não o podia fazer...

O quotidiano em si mesmo começou-me a ser maravilhoso: fosse nos seus pequenos recantos existentes, fosse nos inventados ou até, nos descobertos. A janela, em pouco tempo, passou a porta e a porta, não demorou a tornar-se vida, cheiros, toques...

Entendi então, que o caminho verdadeiro passa pela constante experiência de vivermos o dia-a-dia e de o mudarmos se assim tiver de ser.

Perguntaram-me há pouco tempo se não me arrependia de todas as decisões que tinha tomado na minha curta vida... Sendo sincera, tive de começar por dizer que não me lembrava de todas as decisões, que a vida é escolha constante e portanto tinha mais em que pensar. Mas daquelas que recordava (e que se assim é, seriam as importantes), haveria algumas que teria ponderado melhor sobre elas e outras que não mudaria uma vírgula.

A resposta não deixou a pessoa ou a questão muito esclarecida e então disse-lhe: vivendo o que vivo hoje, não me sinto infeliz, não me sinto extasiada ou sequer sempre realizada mas, olhando para atrás, com as limitações da idade, da falta de experiência e, por vezes - confesso - pela falta de paciência, fiz o meu melhor... O meu melhor de ontem, não é certamente, o meu melhor de hoje mas, ao menos os erros de ontem, não são os de hoje e isso, em última análise só posso dizer uma coisa: estou feliz com o que fiz, e sou feliz naquilo em que - ainda - me vou tornando.

O ar de interrogação não deixou o sobrolho do ouvinte e foi aí que, com algum cansaço e já (de novo) sem paciência, lhe perguntei: E então como foi a praia?


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