quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Vivências 52




A esterilidade é em algumas pessoas infinita...

E foi por conta da mesma que, o desemprego é hoje uma realidade para mim... Não o digo por "queixume ou sequer vendetta" mas, por ser realidade.

Quando criamos, sem saber, a Faculdade da Irrelevância Comparada, criamos os pequenos "monstros" que se tornam nossos "chefes": chefes de projectos, coordenadores de formações... ... ... enfim: "chefinhos" de mediocridade sublime e gente sem dúvida, incapaz!

Em vez de terem Psicologia do Comportamento Desviante, tiveram Gramática do Desvio, em vez de lerem sobre História e Sistemas da Psicologia perderam visão nos livros de História da Agricultura Antárctica... e depois, bem depois, foi todo um "chorrilho" de infelicidades de disciplinas que devem terem "calcorreado" aquelas pequenas mentes: Urbanística Cigana, Hipismo Asteca, Morfematemática do Morse, História da Pintura da Ilha da Páscoa, Literatura Suméria Contemporânea, Instituições de Docimologia Montessoriana, Filatelia Assírio-Babilónica, Tecnologia da Roda nos Impérios Pré-Colombianos, Iconologia Braille, Fonética do Filme Mudo, Psicologia das Multidões do Saara... enfim, toda uma "panoplia" de raciocínios estúpidos mas, sempre com muita agudeza...

Concluindo... são estes que comandam o País, são estes que comandam Projectos que, sem eles estariam melhor, são estes que culpam os outros pelas suas asneiras e, em última análise, são estes que lixam a vida do cidadão que paga impostos, que é cumpridor mensal do pagamento da sua segurança social mas, que também, como estão no recibo verde... também são estes que ao serem despedidos, não têm direitos... como sempre SÓ DEVERES!

Mas já diziam os ABBA - correndo o risco de ser "pirosa" - "The winner takes it all, the looser as to fall!"

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Experiência 21


"A muito tempo atrás numa galáxia muito, muito distante..."

Que é como quem diz hoje, ou ontem ou coiso... alguém me dizia que não valia a pena escrever ou, ter ideias muito profundas acerca de grande coisa porque, as pessoas não só não são capazes de dialogar sobre elas, sobretudo se for dito algo que lhes desagrade e/ou vá contra a sua opinião mas também porque, são raros os "carolas" e eles, dizia a amiga, não frequentam a internet...

Concordei logo de seguida dizendo que, eu também não vejo a Fátima Lopes, não sei o que é a net nem sei o que raio vêem a ser "novelas portuguesas"... Depois de um aclamado VIVA, ainda disse: Ah, e lembrei-me agora mesmo que nem telemóvel tenho!!!!!!

A loucura foi total e o êxtase proliferou por toda a sala...

Fiquei todo feliz e orgulhoso e coiso e mais não sei o quê... foi do Caramba!

Contudo, alguém teve logo de cortar os meus 5 segundos de felicidade dizendo "Atão e a votação da Assembleia de 10 de Outubro hem?"... aí a coisa estalou! Não fazia a mínima do que falavam, esqueci-me que também não via o telejornal nem o canal da Assembleia... ous eja: estava Frito!

Uns gritavam: Sempre a Favor!
Outros: Contra obviamente!

E de repente, como quem não quer a coisa saiu-me um: Mas que raio de PANELEIRAGEM vem a ser essa do 10 de Outubro??????

Hoje doem-me as costelas, a cabeça, o baço (que não sabia ainda ter) os rins... e, não sei porquê: o CU! Bolas e continuo sem perceber nada do que é que eles queriam...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Vivências 51


"Creio que o mais difícil talvez seja agir correctamente." dizia ontem, uma amiga enquanto falámos daquilo que fomos passando pela vida...

Com razão claro está, cheguei a uma outra conclusão: agir correctamente não é difícil, se agirmos de nós para nós, sem os outros à mistura é fácil.
Se agirmos de nós para nós, sem a opinião dos outros a sobrepor-se à nossa, é fácil.
Se agirmos de nós para nós, sem os outros nos darem razões para estarmos enganados, é fácil.
Se agirmos de nós para nós, sem termos coração cá dentro, é fácil.

O problema só se coloca porque no meio do certo e do errado, do preto e do branco, há uma infinitude de cinzentos que literalmente nos fazem duvidar e, na maioria das vezes, nos faz agir... menos... correctamente...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Experiência 20


"Pecado não é só o mal que cometemos. Pecado é também o que desejaríamos, mas que não temos forças para levar a cabo."

Esta frase era muitas vezes usada pela minha avó ainda num tempo em que o ar era doce e cheiroso, como se, algures tivessem deixado aberto um enorme frasco de compota, nunca achei que ela estivesse correcta, sempre o disse, agora com o passar dos dias, da idade acho que cada vez tem menos razão na sua afirmação... penso apenas que o dizia porque estava magoada, com ela em algumas coisas, com o mundo noutras...

Sentei-me no jardim, pela última vez com ela num dia, pouco tempo antes dela morrer... o chá resfriava, brilhava o sol. Já inquietas, grulhavam as aves. A Primavera chegava. Ocorreu-me que esta era a altura favorita do ano para a minha avó, dizia ele que esta estação, apesar de "(...) comprometer o equilíbrio da razão e das emoções é também a que melhor permite que nos sintamos mais gente."

Tinha-lhe contado que tinha terminado uma relação mas que me deixou muito doloroso... não só porque senti que essa namorada tinha levado parte de mim, da minha alma mas também porque ainda a desejava e agora, por muito que quisesse ela partia para um novo emprego e não mais nos veríamos... A minha avó olhou-me prolongadamente, limpou-me uma das lágrimas que estava a cair solitáriamente pela face e disse com o seu ar calmo de sempre: "Um engano maravilhoso, de que emerge tanto sofrimento, mas igualmente, esplendor: feitos heróicos, obras de arte, maravilhas do engenho humano. Tu, agora, vives nesse estado de espírito, sei... mas se bem te conheço em breve ele passará... se não passar poderás sempre pensar que isso só faz de ti mais rico, mais forte e com mais calo para não caíres na próxima situação!".

Continuámos a beber o chá que mesmo frio estava saboroso... hoje verifico que ela tinha razão mas, eu, ao contrário daquilo que ela tinha vaticinado, continuo sem aprender nada e a apaixonar-me por quem faz com que, mais cedo ou mais tarde, emerja de novo, o já conhecido, o já experimentado e vivido: sofrimento!

Avó, gostava muito de ti mas, tínhamos versões racionais e sentimentais muito diferentes acerca da vida!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Em Fogo 27 - Amizade

O melhor da Vida é poder conviver com pessoas que consideramos Amigos, contudo há uma grande diferença entre Amigos, amigos e conhecidos, na exacta proporção da sua importância. E qual a vantagem de ter casa própria, senão para poder receber os Amigos e fazê-los sentirem-se bem?
Poder juntar Amigos à volta de uma mesa, trocar impressões, recordar momentos passados ou criar ali um momento, partilhar um sorriso ou oferecer o ombro para desabafo, sentir que os outros estão felizes por estarem ali, partilhar um copo do vinho mais caro e sentir que o verdadeiro tesouro é quem o bebe connosco.
Quando nos sentimos bem com esses Amigos, somos como pequenas gotas de vinho, reminescências de sangue, que se unem num copo e formam um liquido espesso e compacto que dá prazer beber. Nunca se pode dizer que temos muitos Amigos, contudo, eles podem ser poucos e ao mesmo tempo representarem o Mundo para nós.
São eles que nos aguentam as birras, que se riem connosco, que nos dizem "tem calma" ou "vais ultrapassar isso", que se exasperam connosco e nós com eles, que nos olham e sabem como nos sentimos, que partilham momentos ou ficam simplesmente em silêncio.
Somos gotas... gotas perdidas... os Amigos completam-nos, dão-nos força, carinho, atenção e transformam momentos banais em especiais. Quem diz que prefere estar só não se leva a sério porque sem Amigos não se consegue suportar uma Vida baseada em batalhas sucessiva de busca do Graal da Felicidade, esse eterno mito.
Para mim ser feliz é estar rodeado de Amigos e sentir que estou, realmente, acompanhado porque podemos estar sozinhos no meio de uma multidão ou sentirmos-nos sós no meio de amigos ou conhecidos.
O que faz um bom Amigo? Tem capacidade de partilha... tem um grau de loucura... tem a intensidade de viver... tem a sensibilidade para ajudar... tem a fé para acreditar no outro... tem o desejo de ser feliz e fazer alguém feliz.
Os Amigos podem ser intensos como um "Esporão", leves como um "Casal Garcia", encorpados como um "Quinta do Cardo", sensuais como um "Ramos Pinto Collection", exóticos como um "Syrah" ou simplesmente diferentes como um "Rosé Periquita". Aos Amigos não cobramos a diferença, aceitamos... aos Amigos não criticamos, apoiamos ou sugerimos... aos Amigos não dizemos que não, estamos lá mesmo quando eles não esperam... aos Amigos não respondemos mal, podemos é estar indispostos que eles entendem... aos Amigos não explicamos o que se passa, eles partilham os momentos connosco... aos Amigos estendemos a mão mesmo sabendo que eles podem não a querer de imediato mas, um dia irão precisar... aos Amigos olhamos a alma e sentimos com eles.
Aos meus Amigos dedico este texto... uma refeição de Sushi é, igualmente, a partilha de sensações e nada melhor que o fazer rodeado de Amigos.
Carpe Diem.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

BURACO NEGRO XVIII

Este é o mais pequeno, dizem. Já visitei o maior conhecido, já andei à deriva neste bem pequenino. Cansei-me.
De olhar dentro deles e não conseguir ver a luz que avidamente sugam à sua volta. Cansei-me.
De olhar-lhes o fundo e ver um mundo ao contrário, era giro, mas como todas as brincadeiras perdeu a graça. Cansei-me.
Vou mudar de Galáxia. Contaram-me de um planeta que, de tão diferente destes que conheço, parece estar à minha medida, agora.
A tecnologia que conhecemos, há muito que lá foi dispensada. Não percebi bem, mas tudo se faz com a energia dos seres que o habitam. É pelo menos refrescante e muito caloroso, suponho!
E as palavras...parece que deixaram de as usar! Passaram aos conceitos-imagem?? Não contam que viram um pôr-do-sol e como ficaram felizes...apenas transmitem a imagem do que viram e a sensação que os fez experimentar. Perfeito!
Acho que vou...descansar das palavras. Espera-me uma quarentena, preciso de me livrar de uma adição dispensável. Preciso aprender a ver, sentir e transmitir.
Acho que vou... já me cansei das palavras que querendo dizer tudo, não dizem nada e das que nada querendo dizer acabam por dizer tudo.
Acho que vou...não sei se voltarei. Dizem que lá, uns quantos são escolhidos para guardar a memória das palavras, preciosidades de um passado atormentado.
Talvez seja essa a escolha que me aguarda e então, quando passar o tempo adequado para que não seja mais uma necessidade usa-las, vos mandarei uma palavra.
Se esse não for o meu caminho...assim que souber como, chegarão, à velocidade da luz, as mais belas imagens que sentir, para lhes contar que estou bem.

sábado, 27 de setembro de 2008

Imaginário XXXII

Era uma vez, numa época qualquer e sem ter que ter obrigatoriamente príncipes, princesas, cavaleiros, bruxas, poções mágicas, nevoeiros, fadas e tantas outras coisas que embelezam as histórias de infância, um menino.

Este menino era daqueles meninos muito tímidos, muito virados para si, muito metido no seu mundinho, muito entretido com as suas coisas e raramente reparava no que estava à volta dele.

Bem, não seria bem assim.

O menino era muito curioso, muito muito curioso. Ele seguia os carreiros das formigas para ver o que elas faziam, ele contava o tempo que demoravam e chegou até a comer uma para ver a que é que sabia.

Ele olhava o sol pela janela e antes de aprender os movimentos de translação e rotação já sabia de intuição que em cada momento o sol ocupava um lugar diferente. Mas não sabia os nomes. Sabia as coisas.

Então ele sabia muitas coisas que os outros meninos nunca tinham pensado porque estavam sempre a brincar àquelas coisas parvas que todos os meninos brincavam e não serviam para nada. Mas não sabia os nomes das coisas e essas sim, os outros meninos sabiam bem - não as compreendiam nem sabiam como funcionavam mas sabiam todos os nomes de todas as coisas.

Este menino foi crescendo sem nunca ter sentido a falta das brincadeiras. Sentia falta do tempo. Quanto mais olhava para tudo e tentava compreender tudo mais intuitivamente sabia que nunca teria tempo para saber o que estava a seguir.

Um dia uma menina foi ter com ele.

- Olá menino.
- Olá menina.
- Como te chamas?
- Chamo-me o que me quiseres chamar.
- Não tens nome?
- Que importa o meu nome? Eu sou eu independentemente do que me chamares.

O menino pareceu muito complicado à menina, mas também ela sentia algo semelhante, apesar de não ser contra os nomes, ela achava que as coisas deviam ter nomes, só para todos sabermos do que se falava.

- Se virmos desse modo sim, menina, mas até agora nunca ninguém falou comigo das mesmas coisas.
- Queres brincar comigo?
- Brincar? Eu não gosto de brincar.
- Não gostas? Gostas de fazer o quê?
- Gosto de contar estrelas à noite e ver que a cada dia parecem no mesmo sítio mas ao fim de dias as posições são diferentes, por exemplo.
- Essa é uma das minhas brincadeiras favoritas!
- E gostas de apanhar gafanhotos e ver como são as suas patas?
- E carochinhas da areia!!

E o menino e a menina foram brincar.

Ela ensinou-lhe os nomes e ele ensinou-lhe a ter calma e a esperar porque as coisas maiores da vida não se viam ao primeiro olhar ou demoravam tempo a acontecer.

E cresceram juntos. E aprenderam tantas coisas juntos que se esqueceram do resto do mundo.

Quando repararam viviam no mundo deles onde mais ninguém tinha lugar e que mais ninguém compreendia. Mas era o mundo deles. Onde mais ninguém cabia.



Sim, viveram felizes para sempre.


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