quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Vivências 69...


No único fim-de-semana com dinheiro...
Na única altura do mês que me deu na "real-gana" para dar "uma volta"...
Tudo, literalmente: por água -abaixo!

Tenho de aprender a ver o tele-jornal... ou pelo menos o tempo.
Ou pelo menos ter uma uma tenda mais forte.
Ou pelo menos... ter mais juízo!!!!!
God Damn!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Experiência 32

S. João... Batista!

Estou farto de lhe dizer...
Tenho uma amiga que, intermitentemente, caminha em terra seca ou se afunda em lodo existencial.

Ora é infeliz porque a vida a arrasta para situações de que não pode fugir, ora é infeliz porque contrariando a vida cria situações das quais não quer sair.... "Contratos" com os de sempre umas vezes, "exigências" familiares outras e cobardia outras ainda... Resumindo, infeliz é sempre... pelos outros ou por escolha própria.

Duvidando da felicidade em si, vai da auto-comiseração (falsa) à soberba da superioridade moral, projectando a sua sombra sobre os demais, como uma guilhotina que se desenha na parede, ao nascer do dia fatal, para o condenado.

Entre decisões que não são nunca definitivas, entre relações que nunca são de entrega, entre amores que não são nunca assumidos ou promessas que são sempre adiadas, vai colhendo os motivos para continuar a perder o pé e a face.

Orgulhosamente só, caminha sobre a terra batida, de dedo em riste, sem alvo fixo.
Lamentavelmente só, afunda-se no lodo da indefinição, num mea culpa aflitivo.

Permanente, na vida: só a bandeja, onde umas vezes passeia a própria cabeça e a maior parte do tempo exibe a cabeça de quem recusa a sua filosofia do: Faz-me mal, que eu faço-te mal e assim seremos infelizes, como manda a Biblia.
Estou farto de lhe dizer... mas...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Extra


Enquanto me dirigia hoje para o trabalho com o enfado de sempre, lembrei-me dos tempos em trabalhava no Monte do Estoril.

Não me importava de acordar cedo, de percorrer todos os dias o mesmo caminho e ver a mesma paisagem...

Tenho saudades de acordar com vontada de de trabalhar...
Tenho saudades do café da manhã tomado entre colegas e chefia em amena cavaqueira...
Tenho saudades do cheiro permanente a mar...
Tenho saudades dos meus utentes...
Tenho saudades dos restaurantes que frequentava na época...
Tenho saudades de no Verão poder ir na hora de almoço tomar um banho de praia...
Tenho saudades de namorar a ver o por-do-sol...

E agora eis-me aqui sem vontade nenhuma, para coisa alguma!!!!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Vivências 68...


O Alberto é rapaz para 60 e tal anos, economista de formação, foi profissional da área até por volta dos 30 e poucos anos.

Depois diz que, por volta dessa altura: "Senti-me cansado de fazer aquilo e tinha um amigo que, era restaurador mas muito mais velho do que eu. Perguntou-me certo dia: queres ficar com isto?. Disse-lhe que sim mas sem muita convicção. No mês seguinte via-me a braços com duas profissões. E ao fim de meio ano disse para mim: Alberto pá, não dás conta dos dois recados!"

Escolheu então o ofício de restauro. Há uns dias, dei-me como aprendiz na sua oficina dizendo-lhe a verdade: "Nunca fiz nada disto mas, se houver trabalhos para polir, carregar, montar e basicamente tudo o que os outros não quiserem fazer, então pode contar comigo!"

Sorriu-me de olhar gentil e disse, apareça um dia destes ali em baixo para ver se é Forte... Falamos e depois discutimos se é mesmo isto que quer fazer ou se não estará enganada.

Depois de muito falarmos sobre o restauro e as histórias de vida de cada um perguntou-me: "Então e quando é que pode vir? De que horas a que horas?"

Começo hoje!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Experiência 31


Este fim-de-semana, descobri que: no sábado, quando devia ter saído de casa estive a estudar feito anormal para uma palestra que tenho hoje e que no domingo, quando devia ter ficado precisamente em casa, foi quando saí.

Confesso, já não aguentava mais aquelas 4 paredes, as malditas das pequenas recordações que me iam olhando e já estava a ponto de dar um berro ao primeiro: "É publicidade!" que me voltasse a tocar à campainha por isso, enchi-me de coragem e meti-me no carro... Adoro conduzir sem destino em particular... de repente dei por mim no lado de lá da ponte mas sem saber muito bem onde.

Estacionei o carro e saí sem nenhuma finalidade (mais uma vez)... comecei a andar, verifiquei que pelo cheiro que me chegava às narinas, não estaria muito longe do mar. Chovia cada vez mais e eu, não sei porquê mas ao invés de regressar furiosamente para o carro, continuei teimosamente a andar.

A dada altura sei que estava já sem sentir a roupa do corpo porque estava completamente encharcado... Por fim cheguei a uma pequena povoação, lá disseram-me que se era mar que queria deveria andar mais um pouco: "Olhe que fica já ali!". Olharam-me de soslaio e ainda ouvi uma das velhotas comentar: "Com este tempo... ele há gente...".

Assim fiz, andei. Por fim: a praia. Estava deserta, a areia molhadíssima... O mar revolto. Pensei: se fosse Verão... Ri-me. Mais molhado não podia estar, então para quê esperar a estação seguinte? Despi-me, sem falsos puritanismos ou medos tolos. Mergulhei. Nadei.

Senti-me liberto. E agradeci o facto de me ter perdido!

sábado, 24 de janeiro de 2009

Imaginário XXXIV

Enquanto estavam todos na galhofa debaixo daquele túnel que servia de passagem a tanta gente o olhar dele cruzou-se com o de um velho que casualmente por lá passou.

Enquanto por lá passava, velho e de pernas cansadas, apoiado na sua bengala que há tantos anos lhe fazia companhia, o seu olhar cruzou-se com o de um jovem que lá estava.

Por um qualquer motivo aquele velho não desviava o olhar, um olhar que lhe parecia familiar, um olhar que parecia que ele próprio já teria visto vezes.

As forças faltavam-lhe cada vez mais com toda a emoção de estar ali. Ali, naquele lugar, àquela hora, de olhar fixo cruzado naquele jovem que sabia ele ter 21 anos. Que ele sabia ter sonhos e ambições, que ele sabia lutador.

O olhar do velho não o assustava. Sentia que, nunca o tendo visto na aldeia nem nunca tendo saído de lá, o velho o conhecia. Sentia mais que isso, sentia que havia um elo entre ele e o velho.

Não sabia o que havia de fazer. Tantos anos volvidos entre a sua saída e este regresso ao sítio onde já não conhecia ninguém encontrava-se agora ali, no mesmo sítio onde 60 anos antes falava com os seus amigos sobre a sua vontade de sair da terra e procurar a emoção lá fora.

Aquele velho parecia saber qualquer coisa sobre ele. Tinha vontade de ir-lhe falar. Imaginou que o abordaria perguntando se precisava de ajuda.

Viu o jovem dirigir-se a si. Fraquejou. Não tinha pensado nessa possibilidade. Não pensou no que poderia ser dito.

Saindo do grupo acercou-se do velho. Perguntou-lhe se se conheciam. Que o seu olhar lhe era familiar.

Sentiu o cheiro do jovem. Ouviu a sua voz. A voz que foi sua.

Temeu que o velho se sentisse mal. Perguntou-lhe se estava bem.

Sorriu para o jovem. Que estava tudo bem, que nunca lhe tinha estado melhor. Acrescentou que a vida dele ia chegar para muitos sonhos. Que fosse fiel a si mesmo, que não se esquecesse - de si - que quando não soubesse com quem contar que contasse - consigo.

Conhecêmo-nos?

Tu ainda não me conheces. Eu conheço-nos.

Perguntou se o velho estava bem. Que enigma era aquele, quem era ele.

O velho recuperou da emoção. Ia seguir caminho, tinha ainda uma longa jornada. Não havia enigma: bastava que o jovem todas as noites se olhasse olhos nos olhos ao espelho.


O velho seguiu a sua jornada, foi andando lentamente pelo túnel fora até o jovem, ainda petrificado, o perder de vista.

O jovem correu para casa. Olhou-se no espelho. Arrepiou-se sem saber se tinha sido verdade ou não. O primeiro objecto que seleccionou para a sua maleta foi um espelho de mão da mãe. Teria que ficar em cima de tudo para se olhar nos olhos sempre que precisasse.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Vivências 67...


A Joana é "amiga" dos tempos (bons) do Padre António Vieira.

Depois tirou o mesmo curso que eu e chegámos a estudar juntas na mesma biblioteca... Mas depois: falávamos demasiado, ela, já na altura fumava em demasia e por isso, para muito "desgosto" nosso, ficávamos no café da biblioteca a discutir, muitas das vezes, o "indiscutivel". Daí que, muito do nosso estudo tenha sido feito "às três pancadas"... Na altura brincávamos com isso porque sempre dizíamos, já com o curso tirado: "Uma pancada ficou contigo e a outra comigo mas... e a terceira????"

Escusado será dizer que neste meio tempo a vida se encarregou de nos fazer cruzar com muita gente "pancadística" e com muito trabalho cheio de pancada!

Entretanto, a Joana deu "o salto" que foi criado por mim e mais uma meia-dúzia de parvos que acreditavam poder mudar o mundo. Passou a ter consultório próprio. Assento num dos EMPREGOS mais porreiros que se pode ter. E ainda escreve para meia-dúzia de pasquins e um jornal sério.

Assim, conhecida por ser rapariga ocupada, foi com estranheza que recebi o seu telefonema numa destas noites a perguntar-me: "E então o que achaste?". Logo com um inicio surreal apostei num: "Boa noite!". "Claro claro - respondia a voz do outro lado - sim e como estás?"

O que se seguiu foi indiferente... porque no fundo o que ela queria falar era sobre um dos seus textos: "Criei um monstro". E durante mais de 12 minutos dissertou sobre política, futebol, cinema... Tive de a interromper e dizer: "Por muito que eu goste de estar ao telefone - que não gosto - que tal veres os meus olhos e saborearmos um café?"

Dito e feito... e depois em vez de 12 minutos foram 5 horas e tal de belo jantar oferecido pelo tal do belo Emprego que ela tem!


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