terça-feira, 4 de agosto de 2009

Vivência 79...


Katchouri (lê-se: Kátexorei) é uma palavra hindu-nipónica que tem para nós ocidentais o mesmo significado que: Eureka!

E ultimamente descobri que a vida até é boa... se soubermos dar-lhe a volta.

O trabalho até faz bem... se soubermos ignorar as pessoas certas e atender as que interessam.

O amor até é partilhado, compartilhado e explicado... se tivermos ao nosso lado a pessoa certa.

Que a família até é "boa pessoa"... se estivermos com eles em dia de festa, com muitos amigos.

Os amigos até são "amigos", AMIGOS e companheiros de alturas e situações... desde que se saiba o significado de cada um e se coloque na gaveta adequada.

Que as coisas culturais e/ou de diversão até podem não divertir muito... se olharmos sempre para o lado negativo delas.

Acima de tudo descobri que, gostar de mim não tem mal nenhum... se não for exagerado e que com isso não "lixe" tudo o que de bom a minha vida tem.


PS- Aprendi também a inventar palavras... Katchouri... não existe! Mas eu uso na mesma!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sweet Dreams - Marilyn Manson covers Eurythmics

Esta é para ti:

sexta-feira, 24 de julho de 2009

My Dying Bride - Cry of Mankind

Música odiada, alguns anos volvidos, música amada...passou de besta a bestial em cerca de 15 anos...


terça-feira, 7 de julho de 2009

Imaginário XLI*

* Fora d'horas, fora de data... enfim, fora de tudo!



Esta é a história de um grão:

Era uma vez um grão de cereal que conseguiu fugir da saca na hora de ser despejado na mó de baixo.
O grão fugiu, fugiu, correu, correu, fugiu, fugiu, correu, correu e conseguiu chegar à mó de cima. Estava já tão longe que feliz da vida já nem se lembrava dos outros grãozinhos seus amigos e irmãos que estavam a ser esmigalhadinhos pela mó de cima, aquela onde ele estava tão são e salvo - pensava ele.

Basófias como era só lhe faltava uma coisa: outros grãos para ver a sua glória, a glória de estar na mó de cima. E enquanto por ali andava a ver se tinha espectadores nem viu um passarinho que esfomeado, truca!: abre o bico e lá se foi o grãozinho sem ter tempo de nem ai nem ui.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Experiência 41


Ela entrou.

Não dei pela sua chegada, estava de costas e, como de costume a ler. Reservei-lhe o melhor lugar, na melhor mesa e, na zona mais recatada, para não arranjar logo ali um primeiro desacordo.

Olhou-me com a pseudo-indiferença já conhecida e ocorreu-me, logo de imediato a pergunta: Que raio faço eu aqui?

Acabou por sorrir e cumprimentar-me profusamente dado o meu esgar de "poucos-amigos", como resposta ao seu primeiro cumprimento.

Sentou-se. Não agradeceu, como seria de esperar, o facto de lhe ter guardado o melhor lugar e de ter tido todos os outros cuidados. À partida, continuava a ter isso como ponto assente em qualquer situação. O melhor, o que mais lhe conviesse... seriam sempre seus, sem questões.

Pensei: Não mudou nada! E de novo: Que raio estou eu aqui a fazer?

A "pseudo-desta vez é que mudei mesmo" mantinha-se o que sempre se foi revelando: um copo cheio de coisa alguma! Ou talvez: meio-vazio, de coisa nenhuma!

Decidi ignorar e apreciar o jantar que tinha mentalmente escolhido.

Fez a "pseudo-conversa de que estaria ainda interessada no meu percurso", fez-me sorrir. Sabia que se estava pouco borrifando para isso mas, deixei-a continuar.

Passou-se pouco tempo até que as perguntar inevitáveis fossem feitas: Como estás? Andas feliz? O que tens feito? Estás com alguém?

Respondi monocordicamente para não dar demasiada relevância à verdadeira razão pela qual se queria encontrar comigo.

Prosegui o jantar.

Proseguiu o exame, desta feita, mais subrepticiamente: Então e planos para o futuro?
Fingi que não ouvi. Fiz-lhe, uma a uma as mesmas perguntas.

Respondeu-me com a mesma pseudo-verdade, com o mesmo pseudo-olhar triste e pesaroso como se todo o mundo fosse culpado pela sua desgraça e, acabou, como um Bolero de Ravel em êxtase numa pseudo-auto-comiseração.

Então, só então entendi... aquela não era uma mulher.

Era uma pseudo-Mulher que podia ter sido mas, nunca foi!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Vivência 78...

Varekai (na língua cigana: qualquer lugar)... e que grande verdade!

Entrámos no Sushi-bar a grande velocidade: estamos como crianças sedentas por todas as iguarias adiadas.

Findado o primeiro prato, eis que surge a conversa:

- Não interessa a idade que se tenha haverá sempre nesta vida coisas que vão escapar ao entendimento mesmo que as compreenda.

Acenei afirmativamente com a cabeça.

- Se não queria uma coisa séria para quê a mentira para que dizer que sim para quê o teatro... a fantochada!

Olhei, fixei os seus olhos vidrados e perplexos. Percebi que se senti-a verdadeiramente traído no meio daquele circo. Podia ter sido com qualquer pessoa, em qualquer lado mas... não foi naquele ser que de repente me pareceu minúsculo no seu metro e setenta e cinco. deixei que continuasse...

- Terei cara de palhaço? Serei entretenimento?

Aí esgotou-se a paciência, não estava à minha frente um deficiente ou doente mental, estava ali, um tipo inteligente, sentimental, e sim: um pouco crente demais para idade que tem e, para o meu gosto. Disse-lhe apenas:

- Podemos jantar e esquecer quem não tem interesse?

Olhou-me espantado e apenas referiu entre dentes:

- Tens razão! Há sempre na vida um momento em que somos malabaristas, outros em que somos trapezistas sem arame e outros em que somos o apresentador.

Passou um breve momento de silêncio.

E depois rimos o resto da noite falando de nós. Do que tínhamos feito durante todo o tempo que não nos tínhamos visto e de algumas pessoas... As que de facto, juntamente connosco, importavam de facto!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Vivência 77...


Era uma vez uma cadeira, não, uma "chaise longue", esperem... um cadeirão.

Era coisa que pertencia à família há uma montanha de anos... tinha passado de geração em geração e, por vezes, nem sempre pelos melhores motivos.

Era agradável de se ter e a manutenção era fácil... mudava-se de tempos em tempos as palhinhas, lixava-se por vezes a madeira e coloca-se de novo verniz. Era uma beleza: ficava nova... de novo!

Como era coisa de família e com tradição, só lá se sentavam os "escolhidos"... ao fim do dia, normalmente, a dona da casa lia mais umas páginas do seu livro, bebericava um único copo de vinho e descansava as costas que por vezes lhe doiam sem saber muito bem porque seria.

Ai de quem tivesse a ousadia de sentar sem ser, préviamente convidado... era bronca pela certa... E houve muitas! Chegou até a ser alvo de discussão entre irmãos, namorados e outras pessoas da família...


Depois como não duramos para sempre, os filhos foram esquecendo a tradição e o significado daquele cadeirão... Foi vendido em hasta pública, colocado num sitio comercial e hoje, qualquer "bicho careto" lá se senta!


A tradição? A tradição já não é o que era!


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