sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O meu menino é d’oiro

Para ti...


sábado, 10 de outubro de 2009

Imaginário XLII

Rufam os tambores.

O trapezista está tenso. Quanto mais salta mais confiança tem bem como mais certeza e consciência da perigosidade do salto.

Rufam tambores.

O trapezista olha, mira, avalia, sorri de nervos, sorri de felicidade - ele gosta de saltar.

Rufam tambores, não pode ali ficar para sempre no alto a segurar o trapézio. Tem que saltar, só assim tudo sai do suspenso e volta ao normal. É sua responsabilidade terminar: a sua apneia, a do público.

E se...? E se este é o último? E se for o último? E se... E se eu não pensar e fizer o que sinto e como sinto? E se a rede falha? E se a mão escorrega? E se tudo corre bem e termina como sempre num ruído de palmas entusiastas que lembra o mar agitado de ondas a bater nas rochas ... E se eu perder o medo e for em frente?


Quem no público olhava estarrecido o trapezista não imaginava o medo que ele tinha da altura, de cair, de escorregar, do balancé do trapézio. Via aquela figura imponente no alto, corajosa que fazia parecer fácil o malabarismo corporal no ferro balouçante. Via aquela figura segura sem medo que inspirava.

E ao som de um prolongado "ahhhhh" do colectivo extasiado o trapezista saltou e balouçou e fez o seu número sem nunca ninguém perceber mesmo sem ele esconder o medo que tinha de desapontar o público.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Never Tear Us Apart - INXS

Amo-te...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Bored...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Abraços esquecidos... E talvez... recuperados!


Sim.
Desculpa se todo este tempo me esqueci.
É que não esqueci.
Apenas não escrevi.
Amo-te.
Também.
Da mesma maneira que me amas, creio.

Sim.
Desculpa se não fiz tudo o que podia.
É que foi mais fácil.
É que não sabia o que sentia.
Amo-te.
Também.
Daquela maneira que nem sempre sai certo.

Sim.
Desculpa se não o expressei antes.
E se hoje é que continuo sem conseguir expressá-lo.
Não é fácil aprender.
Amo-te.
Também.
Daquela forma estúpida e meia-ébria.

Sim.
Sim.
Sim.
Sim.
Sim.
Mas entende: Nem sempre serei eu... nem sempre terei de ser eu... Nunca serei: SÓ eu.

Seremos sempre, Ou: nós ou... nada!
Sim: Amo-te! E tu?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Vivência 79...


Katchouri (lê-se: Kátexorei) é uma palavra hindu-nipónica que tem para nós ocidentais o mesmo significado que: Eureka!

E ultimamente descobri que a vida até é boa... se soubermos dar-lhe a volta.

O trabalho até faz bem... se soubermos ignorar as pessoas certas e atender as que interessam.

O amor até é partilhado, compartilhado e explicado... se tivermos ao nosso lado a pessoa certa.

Que a família até é "boa pessoa"... se estivermos com eles em dia de festa, com muitos amigos.

Os amigos até são "amigos", AMIGOS e companheiros de alturas e situações... desde que se saiba o significado de cada um e se coloque na gaveta adequada.

Que as coisas culturais e/ou de diversão até podem não divertir muito... se olharmos sempre para o lado negativo delas.

Acima de tudo descobri que, gostar de mim não tem mal nenhum... se não for exagerado e que com isso não "lixe" tudo o que de bom a minha vida tem.


PS- Aprendi também a inventar palavras... Katchouri... não existe! Mas eu uso na mesma!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Sweet Dreams - Marilyn Manson covers Eurythmics

Esta é para ti:

sexta-feira, 24 de julho de 2009

My Dying Bride - Cry of Mankind

Música odiada, alguns anos volvidos, música amada...passou de besta a bestial em cerca de 15 anos...


terça-feira, 7 de julho de 2009

Imaginário XLI*

* Fora d'horas, fora de data... enfim, fora de tudo!



Esta é a história de um grão:

Era uma vez um grão de cereal que conseguiu fugir da saca na hora de ser despejado na mó de baixo.
O grão fugiu, fugiu, correu, correu, fugiu, fugiu, correu, correu e conseguiu chegar à mó de cima. Estava já tão longe que feliz da vida já nem se lembrava dos outros grãozinhos seus amigos e irmãos que estavam a ser esmigalhadinhos pela mó de cima, aquela onde ele estava tão são e salvo - pensava ele.

Basófias como era só lhe faltava uma coisa: outros grãos para ver a sua glória, a glória de estar na mó de cima. E enquanto por ali andava a ver se tinha espectadores nem viu um passarinho que esfomeado, truca!: abre o bico e lá se foi o grãozinho sem ter tempo de nem ai nem ui.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Experiência 41


Ela entrou.

Não dei pela sua chegada, estava de costas e, como de costume a ler. Reservei-lhe o melhor lugar, na melhor mesa e, na zona mais recatada, para não arranjar logo ali um primeiro desacordo.

Olhou-me com a pseudo-indiferença já conhecida e ocorreu-me, logo de imediato a pergunta: Que raio faço eu aqui?

Acabou por sorrir e cumprimentar-me profusamente dado o meu esgar de "poucos-amigos", como resposta ao seu primeiro cumprimento.

Sentou-se. Não agradeceu, como seria de esperar, o facto de lhe ter guardado o melhor lugar e de ter tido todos os outros cuidados. À partida, continuava a ter isso como ponto assente em qualquer situação. O melhor, o que mais lhe conviesse... seriam sempre seus, sem questões.

Pensei: Não mudou nada! E de novo: Que raio estou eu aqui a fazer?

A "pseudo-desta vez é que mudei mesmo" mantinha-se o que sempre se foi revelando: um copo cheio de coisa alguma! Ou talvez: meio-vazio, de coisa nenhuma!

Decidi ignorar e apreciar o jantar que tinha mentalmente escolhido.

Fez a "pseudo-conversa de que estaria ainda interessada no meu percurso", fez-me sorrir. Sabia que se estava pouco borrifando para isso mas, deixei-a continuar.

Passou-se pouco tempo até que as perguntar inevitáveis fossem feitas: Como estás? Andas feliz? O que tens feito? Estás com alguém?

Respondi monocordicamente para não dar demasiada relevância à verdadeira razão pela qual se queria encontrar comigo.

Prosegui o jantar.

Proseguiu o exame, desta feita, mais subrepticiamente: Então e planos para o futuro?
Fingi que não ouvi. Fiz-lhe, uma a uma as mesmas perguntas.

Respondeu-me com a mesma pseudo-verdade, com o mesmo pseudo-olhar triste e pesaroso como se todo o mundo fosse culpado pela sua desgraça e, acabou, como um Bolero de Ravel em êxtase numa pseudo-auto-comiseração.

Então, só então entendi... aquela não era uma mulher.

Era uma pseudo-Mulher que podia ter sido mas, nunca foi!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Vivência 78...

Varekai (na língua cigana: qualquer lugar)... e que grande verdade!

Entrámos no Sushi-bar a grande velocidade: estamos como crianças sedentas por todas as iguarias adiadas.

Findado o primeiro prato, eis que surge a conversa:

- Não interessa a idade que se tenha haverá sempre nesta vida coisas que vão escapar ao entendimento mesmo que as compreenda.

Acenei afirmativamente com a cabeça.

- Se não queria uma coisa séria para quê a mentira para que dizer que sim para quê o teatro... a fantochada!

Olhei, fixei os seus olhos vidrados e perplexos. Percebi que se senti-a verdadeiramente traído no meio daquele circo. Podia ter sido com qualquer pessoa, em qualquer lado mas... não foi naquele ser que de repente me pareceu minúsculo no seu metro e setenta e cinco. deixei que continuasse...

- Terei cara de palhaço? Serei entretenimento?

Aí esgotou-se a paciência, não estava à minha frente um deficiente ou doente mental, estava ali, um tipo inteligente, sentimental, e sim: um pouco crente demais para idade que tem e, para o meu gosto. Disse-lhe apenas:

- Podemos jantar e esquecer quem não tem interesse?

Olhou-me espantado e apenas referiu entre dentes:

- Tens razão! Há sempre na vida um momento em que somos malabaristas, outros em que somos trapezistas sem arame e outros em que somos o apresentador.

Passou um breve momento de silêncio.

E depois rimos o resto da noite falando de nós. Do que tínhamos feito durante todo o tempo que não nos tínhamos visto e de algumas pessoas... As que de facto, juntamente connosco, importavam de facto!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Vivência 77...


Era uma vez uma cadeira, não, uma "chaise longue", esperem... um cadeirão.

Era coisa que pertencia à família há uma montanha de anos... tinha passado de geração em geração e, por vezes, nem sempre pelos melhores motivos.

Era agradável de se ter e a manutenção era fácil... mudava-se de tempos em tempos as palhinhas, lixava-se por vezes a madeira e coloca-se de novo verniz. Era uma beleza: ficava nova... de novo!

Como era coisa de família e com tradição, só lá se sentavam os "escolhidos"... ao fim do dia, normalmente, a dona da casa lia mais umas páginas do seu livro, bebericava um único copo de vinho e descansava as costas que por vezes lhe doiam sem saber muito bem porque seria.

Ai de quem tivesse a ousadia de sentar sem ser, préviamente convidado... era bronca pela certa... E houve muitas! Chegou até a ser alvo de discussão entre irmãos, namorados e outras pessoas da família...


Depois como não duramos para sempre, os filhos foram esquecendo a tradição e o significado daquele cadeirão... Foi vendido em hasta pública, colocado num sitio comercial e hoje, qualquer "bicho careto" lá se senta!


A tradição? A tradição já não é o que era!

sábado, 2 de maio de 2009

Imaginário XL

Memórias de uma semana de cão*

(Dog speaking here*)

Dia 1 (5ª feira 9 de Abril): Ói??, a minha dona a passear-me a esta hora da manhã? Isto não é normal! Que fixe!
Hmmm, nunca tinha reparado no cheirinho que estas flores emanam logo pela manhã, que boa ideia dona, que fixe, que fixe, és a melhor dona do mundo!

Dona? Então vamos para casa outra vez? Ah, percebi, vais beber cafezinho. Hmm, está bem, vamos lá, mas olha que estou ansioso de ir para casa da avó que eu e o Ramika ontem ficámos a meio de um jogo muito giro!

Dona...? Dona?? DONA!!! Olha D. dona, vou ficar aqui a gritar até me ouvires, ouviste? Esta brincadeira não é gira, nada gira, nada nada!
Ou então.. será que não é brincadeira? Dona...! Esqueceste-te de mim? Dooooooooooonaaaaaaaaaaaaaaa!!!

Hmmmm, porque é que ela... hei! Hei!! Anda cá! Destranca a porta! Consegues ouvir-me? Anda cá, onde é que te enfiaste? Vou ficar aqui a chamar por ti até me ouvires!


(Depois de almoço...)
Dona.. onde é que vais agora? Não me digas que vais outra vez sair. E eu? Não tenho direito? Ai é? Vou entrar aqui nesta dispensa e procurar uma ferramenta para conseguir abrir a porta. Eu sei onde o dono guarda as coisas, eu vejo.. Ah pois é, vocês pensam que eu estou a dormir sossegadinho mas eu vejo tudo!

Ei... EI! SOCORRO! A porta fechou-se, tirem-me daqui, tirem-me daqui, tenho medo do escuro, socorro!

»Mete-se o fim-de-semana da Páscoa»

Dia 2 (Domingo de Páscoa): Olha... onde será que vamos? Neste carrito? Eles vão todos aperaltados, deve ser coisa importante deve.
Ai dona, esse perfume cheira muito, prefiro quando não pões nada, cheiras melhor, a sério. Mas eu gosto de ti na mesma. És uma dona muito linda, até me fizeste um corte de cabelo giríssimo e depois deste-me um banho que eu detesto mas eu sei que é para meu bem, eu sei, mas detesto! Detesto, detesto, detesto!

Ó donos.. onde é que vocês vão? Quem é este que eu não gosto nada porque nunca me faz festinhas? Que ... que sítio é este? Ei!! Ei, estão a ouvir? Não me deixem aqui fechado. Vá lá... levem-me com vocês...
Ai é? Não me ligam? Não me ouvem? Vou puxar por estas coisas aqui de lado, vocês põe sempre isto e qundo saem do carro tiram, por isso se eu tirar devo sair daqui, não é?

Bolas, estou farto de roer isto e o carro não se abre.

Ei, alguém me ouve? Socorro! Quero ir ter com os meus donos! Quero ir fazer xixi! Ei!!

Ninguém me ouve, é melhor roer mais, pode ser que consiga sair mais depressa.

Olha..., olha são eles! Boa, já não preciso roer mais, já posso estar aqui sossegadinho que eles estão a chegar.

Donos!! YES! Que fixe, chegaram, vocês ouviram-me! Não precisei roer aquilo tudo até ao fim!
Errrr... mas.. mas... porque é que estão a ralhar comigo? Eu pensava que se saía daqui se tirássemos isso.

Dia 3 (2ª feira 13 de Abril): Não sei porquê mas hoje já não tenho a casa toda para mim.
Mas como raio vou eu entreter-me? A piada estava em estar à porta de casa a gritar para a minha namorada me ouvir. Agora como é que ela me vai ouvir? Vou ter que gritar ainda mais alto. Estes meus donos não percebem nada.

Espera lá, porque é que ela virou a toalha para cima da mesa. Ah... estou a ver, deixa-me aqui a falar para o boneco, vai embora e ainda me esconde alguma coisa boa.
Isso é que era, não me chamassse eu Pootchie Nunes.Vou já ver o que é que está ali em cima da mesa.
Ups... ai ai ai... ela vai aborrecer-se. O cinzeiro. A caixa do pão. Opá... vai achar que sou um trapalhão. Quando ela chegar a 1ª coisa que vou dizer é que foi sem querer!

Olha, veio a casa comer. Acho que não está muito aborrecida, felizmente! É que foi mesmo sem querer. Ela é tão compreensiva... Boa! De tarde vou ajudá-la. Vou ver se consigo tratar de outras coisas cá em casa, como ... o lixo!

Dia 4: Esta dona... um cão a ajudar como pode e ela dificulta tudo. Tentei dizer para não perder tempo com o lixo que eu levava mas ela prefere assim, tudo bem. Vou ver o que posso fazer com estas caixas de cartão.

Dia 5: Hoje estou cansadito. Desculpa lá dona mas não te consigo ajudar em nada! Vou ficar aqui a descansar que chamar tanto por ti cansa, parece que não mas cansa. Já estou rouco!

Dia 6: Hoje também estou cansadito. Porque é que ela fecha a porta da cozinha? Deve achar que é muito engraçado ficar aqui fechado, deve. Aqui não tenho nada para fazer!
Vou ali fora. Caraças, como raio é que isto se abre? Eles põem a mão, puxam e.. já está ! Oh yeah! Afinal abrir portas é fácil, como é que não tentei isto antes? Que delícia, vou ali para ao pé da porta dizer a todos que estou crescido e já sei abrir portas!

Dia 7: Olha, ela fechou a porta outra vez, deve ter-se esquecido que já aprendi a abrir.Ou então é um jogo! Que giro, é isso, é um jogo!
Este jogo tem regras diferentes. Assim não vale, dona! Fizeste batota, trancáste a porta, assim não vale, esta brincadeira já não é gira!
Doooooooooooooonaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! (Ai que já estou a ficar cansadito. Se for bem a ver já não sou propriamente novo. Mas esta dona acha que sou um jovenzinho, é? Já nem consigo ouvir a minha voz!)

»Mete-se o fim-de-semana«

Dia 8 (2ª feira 20 de Abril): Óh dona, donaaa??!! Mas isto agora é todos os dias? Então agora fico aqui neste espacinho minúsculo que nem dá para me coçar, aqui sozinho à tua espera? Se isto é gostar de mim vou ali e já venho.
Já que não me ligas vou beber qualquer coisa, estou com sede.
Vou fazer sumo. Ouviste dona? Vou fazer s-u-m-i-n-h-o!

(Ouço a chave da dona na porta. AI como lhe vou dizer que correu mal?)

Sabes dona, sabes, sabes? Sabes? Dooona... Ai que nem imaginas, fez tanto barulho, isto é pesado, eu não sabia, ai que me assustei tanto dona... E agora... ainda tentei limpar isto tudo mas não encontro os panos. Ó dona... desculpa. Não, não. Não me cortei nem nada e o sumo assim é tão doce, blergh, não gostei, mas... deeeeescuuulpaaaa, não queria fazer isto. Desculpa sim? Desculpa... Desculpa, desculpa.
Eu ajudo-te a limpar... dona?? Banheira? Nãããão! Tu sabes que eu detesto! Ainda por cima a frio? Fogo! Estás mesmo aborrecida, isto é tortura, há leis dos direitos dos animais! Vou fazer queixa! SOCORRO!!

Uff, foi rápido. Eu ajudo-te a limpar, sim? Vá lá, deixa-me ajudar, deixa!

Olha que lindo que ficou! Adoro-te dooona!

E agora de tarde vou preparar um leitinho para o dono para quando ele chegar ver que me portei bem.
Ups. Porque é que isto está a esguichar por todos os lados...???





*Versão da dona neste post: Memórias de uma semana de cão (Versão da dona) [http://historiascommemoria.blogspot.com/]

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Experiência 40


A palavra tolerância, provém da palavra Tolerare que significa etimologicamente sofrer ou suportar pacientemente. O conceito tolerância radica numa aceitação assimétrica de poder:

a) Tolera-se aquilo que se apresenta como distinto da maneira de agir, pensar e sentir de quem tolera;

b) Quem tolera está, em princípio numa posição de superioridade em relação aquele que é tolerado. Neste sentido pode ou não tolerar.

A tolerância pressupõe sempre um padrão de referência, as margens de tolerância e aquilo que se assume como intolerável.

A tolerância pode surgir como a simples aceitação das diferenças entre aquele que tolera e o tolerado, ou como a disponibilidade do primeiro para integrar ou assimilar o segundo.

Num certo Núcleo de um certo clube numa aldeia perto de si... Temos a personificação dessa tal dita tolerância no gerente do referido núcleo... Em 2 horas apenas:

Atendeu 36 pedidos,
Aturou, literalmente, um rapazito que às 13:00 já conhecia toda a Bagdad que é como quem diz, estava podre de "bezano",
Foi levar a neta à explicação e voltou,
"Deixou" que entrassem no núcleo 2 tipos duvidosos: um meio avermelhado e o outro meio azulado... não sei se o primeiro não teria também bebido demais e o segundo levado porrada mas, entraram e foram prontamente servidos,
Teve de acalmar os ânimos de um casal de namorados que se chateou entretanto,
Acordou por 4 vezes um dos clientes porque "ajeitava" o sono no ombro vizinho,
Acabou por de pedir metade da conta que esperava pagar...

Obrigada Oh Ramalho, são pessoas como o senhor que vão escasseando... e isso deixa-me triste mas, far-me-á voltar... pode ser já amanhã??????

terça-feira, 28 de abril de 2009

Imaginário XXXIX - 2ª parte

[Continuação daqui]

... já tão longínquas que nem memórias eram. Já não eram nada.

Mesmo que ela pudesse compreender o que se estava a passar dificilmente o deslumbramento a permitiria converter os flashes em palavras compreensíveis.

Do seu lado de fora os médicos lutavam para a estabilizar e reconheciam nos seus murmúrios moribundos e tentativas de gestos que o tempo dela passava mais depressa que o tempo deles, sabiam por experiência que em segundos não poderiam fazer nada.

Ela, por seu turno, fazia a viagem mais surpreendente da sua vida.

Ela não tinha a percepção que esta sua viagem por si mesma ao longo dos seus 48 anos de existência, onde ela se demorava em alguns episódios e podia até atrasar o tempo, duravam apenas uma fracção de segundo para os médicos.

Do exterior do quarto a filha fitava a máquina que fazia a mãe queixar-se, a máquina dos bip's, e via com os seus olhos o ritmo cardíaco da mãe decair a um ritmo irrecuperável.

Ela, no entanto, perdia-se nos pormenores da mais louca viagem da sua vida. A primeira coisa que queria fazer quando regressasse era contar a todos que a viagem não se faz no sentido ascendente mas no sentido descendente. A viajem é feita do fim para o início. E também que é possível interagir connosco. Enquanto decorria a viagem parecia ter capacidades inimaginadas, conseguia pensa, anotar mentalmente, conseguia reviver, conseguia tocar, falar, não havia limites.

Viajou daquele quarto de hospital cheio de bip's até ao acidente, por aí fora para trás e naquela altura todos os pequenos nadas de que foi feita a sua vida tiveram uma imensa importância. O mais simples gesto de ajeitar o cabelo e a gola da camisa todas as manhãs enquanto o elevador descia eram agora tão importantes como o nascimento da sua filha, como o seu casamento, como a morte dos seus pais e irmão. Tudo era importante. Agora via - sentia - que tudo era importante, mesmo o que parecia desprovido de qualquer sentido.

Viajou da sua idade adulta pela sua vida inteira até ao seu nascimento. No momento em que presenciava - via, sentia, ouvia, cheirava, pressentia, participava - o seu próprio nascimento sentiu uma força.

Os médicos já nada podiam fazer. Os sinais vitais atingiam os valores mínimos e sabiam que a vida se esvaía dela. Nada mais podiam fazer senão esperar o óbito.

Na sua derradeira viagem ela entrava na recta final, no último troço do último percurso da sua vida.
Assim que ela se refugiou naquele ventre que lhe oferecia protecção o seu óbito foi declarado.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Experiência 39


Temos andado em... "maré de sorte"...

De todas as filhas das divindades marinhas de Fórcis e de Ceto... já "nenhuma assusta"...

Poseídon, tem tratado da coisa... até (espero) de pequenas férias (agradáveis esperam-se)... ou então não!

Assim sendo nem de Égide (escudo) necessito... Apenas de S&S!

Portanto a vós, amigos que me sabeis amigo de um copo mas (neste momento não mais do que isso) dai-mo, de uma vez por todas:
- sem entraves ou meias-palavras,
- cerca da berma,
- no interior da taça, que se desenhem cachos de uvas, não deixando dúvidas que naquela taça se servia apenas vinho,
- e depois, bom depois, há que nunca chegar ao fim do copo,
-seguir viagem e saber que ali, já não bebemos mais!

Bons... Cachos!

sábado, 18 de abril de 2009

Imaginário XXXIX - 1ª parte

Não queria que o último som nos seus ouvidos fosse aquele bip irregular que lhe ia lembrando constantemente que em breve estaria morta. Não, queria tanto que aquele bip fosse musical, um som alegre, um chilrear, qualquer coisa em vez daquele som tão desprovido de vida que foi escolhido para traduzir precisamente os seus sinais vitais.
Agora, ali deitada naquela cama impessoal onde nem imaginava quantas pessoas teriam pensado o mesmo que ela, concluía que era perfeitamente aniquilador de qualquer esperança ouvir permanentemente um "Bip, bip, bip" que lhe dizia que cada vez estava mais perto da chegada a um ponto qualquer. Ou de saída de um outro ponto, em breve descobriria.

Já tinha lido sobre "near death experiences" e perguntava-se quando começaria a ver a tal luz brilhante e a ver a vida passar à frente como um filme em "fast-foward". Como seria rever tudo de uma só vez? Iria lembrar-se de alguma coisa que achava esquecida? O que seria essa coisa?
Pensou que não devia estar a bater bem: era suposto estar assustada ou curiosa? Se não fosse aquele maldito bip... Se não fosse estar com tubos por todo o lado e não conseguir dizer a ninguém diria que não há pior que partir de vez a ouvir aquilo. A curiosidade, essa, ficava cada vez maior e o medo cada vez mais para trás.

Começou a sentir-se mais calma. Lembrou-se de quando soube que estava gravemente doente e não sentiu raiva nem tristeza. Sentiu-se como que a ver um filme, faltam as pipocas, pensou.

Ouviu uma voz conhecida e tentou abrir os olhos mas não conseguiu. Sabia que era a sua filha que perguntava nesse momento ao médico o que se passava. Ela respondia à filha que estava tudo bem. O médico respondeu para ela se afastar, que tinha que sair dali.

Tolo do médico, não me ouve? Deixa estar aqui a minha filha. Saberei lá eu se a volto a ver? Sentiu-se a rir calma e docemente, um misto de riso e sorriso e queria tanto conseguir dizer apenas que estava tão bem.

Mas aqueles horríveis bip's, aquelas vozes desconhecidas que não a deixavam ouvir a filha e aqueles malditos tubos que só serviam para a impedir de comunicar com o que ainda era o seu mundo - Será que havia outro? Como será se houver? - e dizer pelo menos para viverem o melhor que puderem que a vida é tão curta para mágoas. Queria dizer que estava bem, talvez não o bem que queriam que estivesse, mas que estava melhor do que tinha estado: leve e sem dores. Queria dizer também que podiam substituir aquele bip que agora já não era enervante e parecia mais um som lá muito longe.
Sorriu ao "ouvir" todos quantos conhecia dizerem em coro que tinha mesmo mau-feitio. Sorriu fracções de segundo depois, num sorriso-réplica, por ver todos ali reunidos de novo.

As vozes dos médicos, o bip, o choro da filha eram agora memórias longínquas...


[Continua]

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Esta tem dedicatória...

Mami, esta é para ti!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Vivência 76...


Há muito que aprendi a "combater-me": não voltar a certos sítios, não ouvir algumas músicas, evitar muitos cheiros...

Hoje, possivelmente por força das circunstâncias, vi com alegria certas fotos, olhei com alguma nostalgia uma parede, cheirei inevitavelmente uns incensos oferecidos num Natal...

E a alegria que aqui não habitava, faz tempo...
As paredes que nunca foram heregidas...
E os cheiros que nunca fizeram grande sentido...
Possivelmente...

Caíram: numa só lágrima!

E depois... Acordei!

quinta-feira, 26 de março de 2009

Extra Bull Shit




Ressalva: Adoro Haring (Keith) e portanto, que o quadro acima não seja visto como elogio mas, exactamente a representar o que vemos: SOCO!



Toda a gente sabe que Ódeio firmemente coisas e loisas e gente e bichos e mais não sei o quê... Mas até eu tenho pudor...


Alguém tem enviado este BELÍSSIMO comentário a inumeros blogs, inclusive o nosso... passo a referir:


"querida, quatro avisos:1. se fores jantar comigo, cuidado que eu costumoe squecer-me da carteira; 2. se fores para a cama comigl, cuidado que eu não uso preservativo mas digo que é só contigo; 3. se fodermos, não me peças para te lamber que eu não sei. 4. E se te pedir para te masturbares, tem cuidado que eu uso uma webcam e depois curto que nem uns desalmados com os meus amigos a ver-te a cona."


Primeiro e antes de fazer qualquer comentário, ninguém é santo!


EU não sou!


Mas alguém promover este tipo de comentário... Enfim... venha o ódio, o diabo... e não escolha:

leve logo...


Por fim, e o que interessa:


Anonimo (gaijo, gaija, tavesti ou seja o que for):


1 - Ainda bem que alguém se esquece da carteira... tu, ele, ela ou o outro porque no fim da noite, alguém fica a lavar pratos e É CHATO!


2 - Quanto ao preservativo... acreditas mesmo nisso???? Ou foste a Angola esta semana e o Papa "vendeu-te a história"??????? É CHATO... teres acreditado!


3 - Ainda bem que não lambes... pode haver CHATO(S)! É nojento e tal...


4 - CHATO???????????? Nã! Isso é Mer... MESMO! Que é isso de me tirar a idéia "Kamasutrina" de filmar hoje uma rapaziada maluca que... AI!


E agora MESMO MUITO a sério:


Se tudo o que dizes é verdade... acerca deste ou daquele, desta ou daquela... Achas que vale o tal dito "peido" de te chateares???????????


Que tal seguir em frente, cagar para isso e arranjar alguém a sério que não seja tudo isso??????

sexta-feira, 20 de março de 2009

quinta-feira, 19 de março de 2009

Vivência 75...


Nos meus tempos de juventude (hem???? onde é que eles andem????) fiz muita manif (a sério!) não destas: feitas por políticos e palhaços... Em 2001 recordo que foi a última a que fui... em Palermo (e que palerma fui!!!!!).

Andámos mais de 4 meses a preparar as coisas para sermos pacíficos e estarmos preparados para a carga de porrada que poderíamos esperar... Em Fevereiro lá estávamos... todos!

Com roupa dupla (2 peças: uma por cima da outra) e com reforços (cortávamos garrafas de litro e meio de aguá para, com fita cola grossa, colarmos nas pernas e braços).

Éramos uns belos tolos! As duas coisas: belos e tolos! Mesmo! Além disso, tínhamos garra, fé e, acima de tudo - que grandes marados - acreditávamos nas coisas de tal forma que colocávamos nas mãos (uns dos outros) confiança cega.
Nunca me arrependi deste e de outros actos porque todos eles me tornaram numa melhor pessoa (acho eu!) e antes depois disso, acreditei, ainda mais firmemente, de que se "nos colocamos nas mãos do outro, o outro também fará o mesmo." Não resultou... não foi o que aconteceu e lamento, sinceramente.

Não sei o que sucedeu "along the way" mas, aquele sentimento perdeu-se... torná-mo-nos cínicos... despojados de sentimentos altruístas e... em troca, ganhámos apenas a m... de um sentimento egocêntrico, cheio de pena de nós e sem acreditarmos naquilo que nos fez o que somos hoje: rebeldes.

Por isso, hoje acordei com um sentimento renovado: de que tudo é possível... Mesmo o impossível! Mesmo o que ainda não tinha concebido!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Experiência 38

A cada minuto que passa duas espécies animais e três espécies vegetais são extintas. Não ontem ou amanhã. HOJE. Informem-se, a sério!


Contudo, verifico que há um tipo de macaco que prolifera e se multiplica ao contrário daquilo que está estabelecido desde fins do século XX... Fá-lo-vos, claro, do "simius soticus"!

No palavreado corrente é conhecido como "macaco no/ou do sótão". Dão-se em ambientes fuscos, pouco dados ao sol e à ventania e com cheiro a bolor. Contudo, não se sentem aprisionados, não senhor! Sentem-se sim, no seu "lar"!

Até aqui nada haveria a dizer não fora a sua acção, que se pauta, normalmente, por situações pouco ortodoxas. Passo a explicar: uma vez instalados, dificilmente saem do seu "ambiente", podem inclusive, morrer se assim for o caso mas, sair dos ditos "soticus" é que não. Causam danos nos diversos "sótãos" onde se instalam que vão desde aquilo que Freud descreveria como "histeria" aquilo que eu, creio ser, pura burrice. Não peçam descrição mais detalhada que certamente devem conhecer alguém com este tipo de M.O. (modus operandi).

Porém, nada disto me impede de dizer ao pessoal com tais criaturas "aprisionadas": infeliz daquele que cheira a felicidade e a deixa escapar "à conta de macacos" e, pobre daquele que pressente o Verão e só sente nevoeiro na sua vida "à conta de sótãos mal arrumados"!
Mas ainda assim, podem sempre contratar uma empregada para limpar... o sótão!!!!

terça-feira, 17 de março de 2009

Extra 2 e meio...


Ao almoço depois de muito trabalho e mais à hora do lanche que outra coisa:

El Xefe: Então não é que ontem um padre não sei do quê de uma ordem lá de Espanha, dizia que há muitos protectores dos animais mas depois, não há protectores para as crianças.

El Xefe II: Ah lá isso é verdade! Então agora com aquela coisa do daquele alemão o Fritz, ou Fritzcle ou lá o que é, havia de ficar num quartito igual aquele em que aprisionou a filha os mesmos 24 anos!

El Xefe: Nã! Isso também pensei eu! Mas então não é que o maluco do padre se referia ao aborto????? E que ninguém protege essas crianças????

El Xefe II: É por essas e por outras que faz tempo que não ponho pé numa igreja e olha que mal não me tem feito!!!!!

El Xefe: Isto realmente anda tudo parvo. É este lá em Espanha e o outro ainda mais burro cá em Portugal!

El Xefe II: Pois aquele do outro dia também disse uma coisas esperta: que não era normal ou lá o que é ser-se homossexual... Estão fora da realidade ou do mundo ou então não sei quem é que os manda vir para a televisão dizer tais disparates!

Por fim, interrompo e digo:

Moi: Se bem me recordo das aulas de estatística, a média é tudo o que está num centro de uma linha imaginária e onde se concentra o maior numero de casos estatísticos, o que faz com que, tudo o que esteja longe dessa linha seja "fora da média" e, então em termos leigos, "anormal"! Assim sendo, como há poucos padres em comparação com o resto da população, eles são também, "anormais"... aliás, como os sapateiros, os alfarrabistas e uma data de outras pessoas que inserem na nossa sociedade e não são por isso descriminados ou sequer se faz um programa sobre eles.

El Xefe: Ai não faz não! Mas devia que é uma pena perderem-se certas profissões!

El Xefe II: Bem e se esses são "anormais"... então um sapateiro homossexual... é uma raridade!!!!!

Claro que o almoço terminou em forte gargalhada... e semi-preparação do almoço do dia seguinte!

Acabei o dia de trabalho a pensar: de que vale a tanta gente, tanto estudo, tanta leitura, tanto "saber" se depois na vida a sério, são apenas reflexos daquilo que lêem e não aprendem, sombras daquilo que os seus pais pensam e pior, a realidade daquilo que nunca quiseram ser e no fundo são-o na acção diária: medíocres!!!!!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Extra


Hoje depois de um tempo de ponderação aconteceu... e foi bom!

Manhã: uma certa ansiedade um "nervo miudinho"...
tomar banho (a febre dos fenos atacou em força esta noite!)...
vestir algo confortável...
calçar algo confortável que senão o pézito fica deformado!

Ir para ao trabalho (a pé! Uau!) com o antigo mp3 que não dá para fazer um quarto das delicias que gostaria mas que "tá-se muita bem"...
enquanto o sinal não muda, fechar os olhos e saborear o sol...
ver as horas no telemóvel...
colocar o telemóvel no silêncio...
ver que estou 30 minutos adiantada...
ir até ao café da esquina beber o café da manhã!

Ver o ambiente que rodeia o sitio onde me contrataram...
gente pacata que cumprimenta gentilmente a "el xefe"...
ver que o seu sorriso não é "fabricado"...
já cheira a cozinha...
cheira bem... muito bem.

Olhar de novo para o telemóvel, verificar que faltam 10 minutos...
pentear-me com as mãos...
verificar que as mãos estão impecáveis...
tirar o supérfluo, mantém-se apenas um único anel (as alergias estão de mal a pior!)...

Entrar e dizer: Então bom dia! Cá estou!

E durante umas horas a simpatia foi uma constante: "Então A. não quer um café? - Mais tarde - "Não quer uma torradinha?" A primeira hora consegui ler parte (a mais interessante) do Expresso...
Por volta das 13:00 a loucura...

Desde cozinhar a lavar pratos, de saber o que é um café "escorrido" a preparar à última da hora crepes...
tudo correu bem...
não só acham que sou copeira...
como empregada de mesas...
e cozinheira...

No fim, SIM! Comemorou-se com umas caipirinhas e ida à praia que ainda sabia bem o sol.

Se eu soubesse que ser feliz era tão fácil... ... ...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Vivência 74...


Este tempo todo de silêncio para vos descobrir a voçês meus amigos "desgramados" na "congeminação" de mais um plano marado e sem sentido.

Depois de ontem... Agora é que vão ser elas...

Um deu-me a notícia de que ia ser pai em breve e me quer para madrinha... Pobre criança pensei eu, mas julgam que isso me impediu de dizer que não???? Claro que impediu!!!! E dei logo 3 ou 4 pessoas bem mais aptas para tal tarefa... De novo, fui mal sucedida e a coisa e ficou-se mesmo por ali, aqui, aliás!

O outro disse-me que a candidatura estava feita e que daqui a uns dias seria chamada... "Possivelmente vais para lá que o tipo ficou interessado!" e desta para bem longe... "Não te apoquentes que iremos ter contigo logo que haja dinheiro!"... pois sim!

Um outro assim como quem não quer a coisa diz-me que se está a divorciar... "Tinha de ser, sei lá!" e põe-me a mão por cima do ombro, começa a chorar de fininho e pede para levar o carro... Atão não! Só se for para ficares mais desgraçado... ainda!

Por fim, o mais caldo do jantar, também fartou-se de comer, diz-me eh pá temos de nos despachar que esta merda agora fecha ás 2 da matina!

WOW pessoal alto lá!
Não quero ser mesmo madrinha de ninguém!
Se vou está quente ou frio? Levo o quê para vestir?
Mas tinha de ser o quê pá? Tás parvo, tens é de ir à luta que tu nunca bateste foi muito bem da cachimónia!
E, by the way, desde quando é que o bairro fecha às duas???????

Uníssono: Desde o inicio do ano!

Quê? Já estamos em 2009?????

quarta-feira, 11 de março de 2009

Experiência 37


- És um ninja!

- E tu és uma gueixa!

No dia em que a minha namorada disse aquilo, fiquei tão embevecido que nem me ocorreu perguntar-lhe: "Eh lá oh mulher, porque raio sou coisa que nunca fui?".

Era novo, muita maluco, tinha uma Ninja que cortava o vento que se fartava ah, e namorávamos há 2 semanas... Depois a coisa deu para o torto e nunca pensei nisso.

Hoje a minha namorada (outra, claro está!) disse-me o mesmo e eu ia quase a cair no mesmo disparate quando disparei:

- Diz?

- Sim, és um ninja! O meu pequeno ninja!

- Bem mulher, pequeno?????

- Não é pequeno no sentido de "pequeno"... É mais como: Meu e "migñon" e bem, ninja!

- Explica-te que não entendo!

- És rápido e hábil e...

- Ah, agora estou a ver... Sou o Bill! O Kill Bill! Ah bom, assim tá melhor!

- Bom, está bem se preferes ser a Uma Thurman...

- Quê? Não podes estar bem! Qual Uma qual quê! Bem não foi isso que disseste há uns dias atrás depois da... terceira? - e desatei a rir.

-Gabaste muito!

- E não é verdade?

- Sim, mas agora toda a rua sabe! - disseste envergonhada.

- Que sou um ninja ou a Uma? - disse em surdina piscando o olho.

Sorriste, "roubaste-me" um beijo à má fila e levaste-me para o ginásio...

domingo, 8 de março de 2009

Extra

O Polegar opositor é o símbolo máximo da evolução. Foi-nos "dado" para desenvolvermos uma quantidade de técnicas e de resolvermos uma série de problemas...

Mas quando o mesmo não serve para "agarrar" de facto as coisas boas da vida, essa "conquista" não me parece ter sido grande passo para o Homem, nem tão pouco para a Humanidade. Se, a essa "aquisição" estiver inerente a falta de sensibilidade e de inteligência então, meus senhores, somos "fracos seres" aos quais só se deram as tais "pérolas a porcos"!

No fundo, para muitos, serve apenas para se ser César demente em Coliseu decadente!

sábado, 7 de março de 2009

Imaginário XXXVIII

E ali estava ela no sítio onde ela achava que seria o meio da praça.

Feita louca esbracejava. Feita louca ali gritava para todos os que passavam. E gesticulava também. Gritava ria gracejava. Ria de si e dos outros. Ali estava ela só, cada vez mais só, a esbracejar no que ela achava ser o meio da praça, sempre convencida que cada vez mais gente tinha para a escutar.

Quem é ela? Perguntavam-se os olhares - quando se cruzavam - dos que por ali passavam e levavam com aquele cenário, mas apenas encolheres de ombros discretos e um ou outro mais ousado dedo girando junto da testa e rebolar de olhos eram dados como resposta à pergunta muda que todos se faziam.

Pobrezinha diziam uns. E olhando para trás com olhares de pena iam passando por ela sem saber muito bem o que lhe responder.
Outros havia que ali se demoravam e lhe perguntavam de modo mais curioso o que ela ali fazia, se era atenção que queria ou o que mais pretendia.

Todos quantos passavam percebiam, uns mais depressa que outros, que bem aquela cabeça não batia. Gritava ela do que julgava ser o meio da praça, sozinha falava e para si ria sempre a pensar que era para os outros que o fazia.
Na verdade, coisa que ela não compreendia, é que momentaneamente servia de entretenimento, fazia soltar uma gargalhada e qualquer criança se ria, mas com o passar do tempo, já não era entretenimento, pena era o que sentia quem por lá passava, coisa que ela não compreendia.

Na verdade aquela louca que no que ela achava ser o meio da praça para si falava gritava gesticulava foi-se tornando notícia e de vários sítios havia quem ali fosse do propósito só mesmo para a fotografia. E a louca feliz da vida cada vez mais se ria por achar que a audiência era boa, gostava dela nem reparava sequer nos perdidos de riso que dali saíam olhando uns para os outros com olhares que se interrogavam que seria que ela queria.

Que simpática - diziam uns - atenciosa até!
Pois é
- respondiam outros - parece, não parece? Atentem no modo como lhe falam, o que lhe sobra em energia falta-lhe em maneiras.
Oh pobrezita, uma louca é o que é. Pena devemos ter, coitadita da senhora, vai-se entretendo como pode na sua loucura, temos que ter paciência.

E o tempo lá passou com a louca no que julgava ser o meio da praça. Gesticulava, esbracejava, deixou a graça para escarnecer de quem por ali passava.

E na verdade era tão simples, tão depressa se resolveu. Bastou a televisão por lá aparecer. Médicos à distância faziam diagnósticos sobre o que julgavam ser uma qualquer demência degenerativa acelerada.
Na verdade era tão simples, tão depressa se resolveu. A louca precisava de atenção e assim que foi famosa como "A louca que ria gritava gesticulava no que achava ser o meio da praça", desapareceu.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Foges?

Foge, comigo Maria...

quinta-feira, 5 de março de 2009

Vivência 73...


O fogo tem fascinado a humanidade durante milhares de anos... A mim não porque hoje me queimei e doeu!

Foi a maior conquista do homem pré-histórico. A partir desta conquista o homem aprendeu a utilizar a força do fogo em seu proveito, extraindo a energia dos materiais da natureza ou moldando a natureza em seu benefício. O fogo serviu como proteção aos primeiros hominídeos, afastando os predadores... A mim, até hoje não afastou nenhum predador, mas em compensação conheci muitos "perdedores" por isso não vejo onde anda essa grande conquista que, das duas uma ou devia ser minha também ou não faço parte da pré-história... Ah talvez seja russa... "Perestroika"?????

Depois, o fogo começou a ser empregado na caça, usando tochas rudimentares para assustar a presa, encurralando-a. Foram inventados vários tipos de tochas, utilizando diversas madeiras e vários óleos vegetais e animais. No Inverno e em épocas gélidas, o fogo protegeu o ser humano do frio mortal. O ser humano pré-histórico também aprendeu a cozinhar os alimentos em fogueiras, tornando-os mais saborosos e saudáveis, pois o calor matava as muitas bactérias existentes na carne... Ah então tenho mesmo de ensinar esse truque de cozinhar a muita gente que já partilhou casa comigo!!!!!!

O fogo também foi o maior responsável pela sobrevivência do ser humano e pelo grau de desenvolvimento da humanidade, apesar de que, durante muitos períodos da história, o fogo foi usado no desenvolvimento e criação de armas e como força destrutiva... Nop, nop... mas talvez vá até ali à América só para comprar uma e ver como é!

Na antiguidade o fogo era visto como uma das partes fundamentais que formariam a matéria. Na Idade Média, os alquimistas acreditavam que o fogo tinha propriedades de transmutação da matéria alterando determinadas propriedades químicas das substâncias em ouro... Como diz que disse????? Ouro?????? Ha, ha, ha... nem com o euro-milhões vou lá quanto mais com o fogo!!!!!

Afinal que raio de maluqueira vem a ser essa pelo fogo??????

Daqui a pouco vão dizer-me que a roda também mudou o mundo não?????

quarta-feira, 4 de março de 2009

Experiência 36


Conversa de fim de tarde dos dois que estavam ao lado da minha mesa e que não me deixaram ler o último livro comprado:

Ele: Oh pá mais uma vez não é que me calha uma gaija que gosta de gaijas????
Ela: Uma? Mas não disseste que era uma equipa inteira de volei?
Ele: Bem, há lá uma que é casada, não pode ser!
Ela: Pois... pois!!!!
Ele - subindo o sobrolho e fingindo que não vê o sorriso dela: E outra que não é porque só a vejo com rapazes mas que quando lhe perguntei se tinha namorado disse que sim!
Ela: Hum... azar, hem? Ou pontaria, não? Ou azar! Bom, talvez seja azar!

Ele coça a cabeça, ela brinca com ele e sorri mais um pouco...

Ele: É estranho pá! Tenho a impressão que cada vez há mais gaijas a gostarem de gaijas!
Ela: E... gaijos a gostarem de gaijos! Se calhar somos espécie em vias de extinção! Quer dizer... talvez tu, mais do que eu...

Ela desata a rir e ele, sorri-lhe em sinal de confirmação!

Ele: Lá estás tu a gozar comigo! Não concordas é?
Ela: Estás a brincar? Claro que não concordo! O que acontece é que antigamente as pessoas tinham medo de "saírem do armário" ou de casa ou sei lá...
Ele: Achas que é só isso????
Ela: Acho!
Ele não está convencido e volta à carga:

- Então porque raio é que tens tantos problemas com aquela tua namorada que anda sempre a voltar para gaijos e só contou aos pais ao fim de não sei quantos anos????

Ela com paciência mas já pronta para mudar de conversa rebate e termina o assunto:

- Porque sempre vai havendo gente que gosta MESMO é de "armários" e mobília, porra!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Imaginário XXXVII

Vi-te a primeira vez de soslaio. Lembro-me perfeitamente porque nunca mais esqueci o teu olhar. Não sei se os teus olhos brilhavam tanto como me pareceu mas para mim o teu olhar ofuscava.

Estavas na paragem do autocarro como descobri que estavas todos os dias. Tu, o teu jornal e a tua pasta. Entraste placidamente, mostraste o passe como todos mas a tua calma confesso que era exasperante, a tua calma àquela hora da manhã, áquela hora em que apesar de cedo já todos estão stressados como se fosse o fim do dia.

E a tua calma exasperante chamou-me a atenção. Lembro-me de ter praguejado para dentro e maldito a tua serenidade e as coisas da vida são como são e se não fosse a tua calma hoje não te estaria a escrever esta carta.
Eu na minha pressa a levar o mundo à minha frente - como se por eu andar depressa o mundo girasse mais rápido. Porque andaria eu tão depressa? - e acabei por te levar à minha frente: a ti, à tua pasta, ao teu jornal. E acabei por te trazer para o meu mundo, sem querer, sem saber...

Eu e a minha pressa armámos uma confussão no autocarro e tu e a tua calma resolveram tudo num instante. Sei que corei violentamente, sei que corei a um ponto que pensei que a cabeça me ia rebentar. Não sei se corei pela confusão, se pelo teu olhar ter outra vez cruzado o meu e ter brilhado ainda mais. Talvez por ambos. Tu sabes, aquelas situações em que ficamos paralisados. E tu com a tua calma pegaste no teu jornal, na tua pasta e na minha e disseste que devolvias quando eu me sentasse e acalmasse, que tanto stress de manhã fazia mal.
Sentámo-nos juntos: eu, tu e a tua calma. E o resto do mundo desapareceu.
Entretanto saíste no teu destino. E eu estática a olhar. Saíste do autocarro mas percebi que não irias tão cedo sair da minha vida.

No dia seguinte não estavas lá no sítio do costume. Nem no outro. A ansiedade começou. No terceiro dia lá estavas. Sorriste e esse sorriso brilhava. Brilhava tanto que eu me sentia ofuscada.
Nesse dia ficámos juntos, não saíste na tua paragem. Eu não saí na minha. Ficámos juntos e quase sem falar fomos para minha casa.
O teu sorriso, a tua voz doce e calma fazia-me esquecer tudo o resto e era bom.
No dia seguinte voltaste. E no outro. Quando eu reparei não te tinhas mudado só para o meu mundo, tinhas-te tornado o meu mundo.

No último dia que te vi fizemos amor como nunca tínhamos feito - pelo menos eu nunca tinha feito, nem contigo nem com ninguém - até aí. Nunca me tinha entregue de uma forma tão intensa, tão descontraída, tão solta. Eu que já tinha tido umas quantas relações senti-me nesse dia de novo virgem. Sei que enquanto me apertavas nos teus braços durante aquela onda que nos sacudiu de alto a baixo eu sorria num sorriso que eu desconhecia em mim. E senti-te a minha pele. Senti coisas que não tinha sentido antes, nem mesmo contigo. E sorri.

No dia seguinte ao acordar sorri. E no trabalho sorri. Passei o dia a sorrir. E cheguei a casa. Tinhas ido embora e até hoje eu não sei porquê.

Não sei tão pouco quanto tempo passou desde que foste embora e me deixaste apenas o sorriso que ainda trago hoje. O mundo, que tinha desaparecido naquele dia no autocarro, ainda não apareceu. E tu, que te tornaste o meu mundo, desapareceste.

E eu que queria tanto perguntar-te como foi seres a minha pele...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Vivência 72...


O meu avô é um sábio. Eu já o sabia faz tempo. Quando estamos juntos o mundo deixa de existir, mesmo! Falamos durante horas ou silencia-mo-nos durante outro tanto e, estamos sempre com um sorriso tolo nos lábios. Ama-mo-nos muito e, coisa rara, sabemos muito bem porquê.

Se o povo diz que família não se escolhe, então eu digo: eu reconheceria o meu avô, no meio de uma imensa multidão e, escolhia-o!

A nossa história de amor é velha.

Segundo ele, foi paixão à primeira vista! Depois da quase morte da minha mãe e da gritaria que se seguiu entre ele e os médicos, lembrou-se que a coisa mais importante ele ainda não tinha visto: eu! Correu pelo corredor adentro e como nas minhas ao lado só havia um menino, ele deduziu (com relativa facilidade) que Eu era mesmo Me... e quando me conta isto rimos sempre.

O meu avô viu-me primeiro do que a minha mãe e do que o meu pai. Diz que apesar do médico dizer que nasci a rir (coisa aliás impossível, dizemos os dois em uníssono), naquele momento em que cruzou olhar comigo, com o vidro a separar-nos, eu olhava muito atentamente para o tal menino ao lado (que dormia feito príncipe) e larguei uma pequena lágrima, tão pequena como os meus olhos e que, apesar de não berrar as lágrimas depois dessa primeira, corriam como se de um rio pequeno se trata-se.

Os dois contamos esta história e uma pequena lágrima cai-nos em jeito de saudade...

O meu avô diz que depois de me ter pegado ao colo que parei de chorar e o olhei muito curiosa. Antes de mim o meu avô já tinha pegado ao colo a minha prima e o meu primo mas diz que nenhum deles lhe agarrou o dedo com tanta força como eu.

Quando comecei a falar a minha primeira palavra foi para ele.
Quando comecei a andar os meus primeiros passos foram para ir ao seu encontro.
Quando me bateram a primeira vez na escola, só ele me queixei.
Quando tive acidentes que quase me custaram a vida, só lhe contei a ele.
Quando me licenciei e acabei o mestrado, o primeiro telefonema foi para ele.
Ainda hoje quando lhe falei de um grande amor, só a ele é que lhe contei o que sucedeu.

Ele com a sua reconhecida paciência, afagou-me a cabeça (como se ainda fosse criança) e disse-me: "Sabes a culpa é minha... Ensinei-te a amar desta forma tão açambarcadora que agora só tu eu te resto para te compreender. Mas não fiques triste nem aches que estás errada, tu também me ensinaste a amar assim, e já foi tarde, porque agora só te tenho a ti e tu ainda tens uma vida inteira pela frente!".

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Experiência 35


Tenho um amigo que é Palhaço o ano inteiro... à laia de uma conversa mais ou menos bem elaborada, é sempre "endrominado" por esta ou aquela mulher com uma ou outra história, mais ou menos, coerente de amor e mais ou menos, sincera de "para sempre". Mesmo depois da experiência lhe provar que nada é para sempre a não ser certo tipo de doenças mais ou menos, "peganhosas", ele não se fia e chora... sempre.

Um outro, é um Patinho o ano inteiro... por "desatenção" ou pura inércia, "cai" nas histórias mais mal contadas de que há memória e este, quando se junta ao de cima é "um deus me valha" de tonterias que até dá dó. Apesar da experiência lhe provar que a única coisa que correlacionada com os patos e "sus famiglias" sejam os seus pés enormes e a atirar pró Ian Thorpe(do) mas este também não acredita nos sábios conselhos e cai... sempre!

Um outro amigo é Cabeçudo o ano inteiro... não sabemos se por má construção "genética" se por mero acaso, é burro como a pinha que cai do pinheiro e não sabe porque raio o fez. Aliás se houver pinhal por perto, o mais certo é cair-lhe uma... na pinha. Desde dinheiro a namoradas, aquele tolo só não deu este Inverno a camisa porque estava frio. Juntam-se os três e ou se ri (muito) ou se chora (ainda Mais). Apesar da experiência lhe provar que esperteza e inteligência não são a mesma coisa e que, se no antigamente carros e mulheres não se emprestam, nos dias que correm, dinheiro tão pouco mas, este também é de ideias fixas e "empresta"... sempre!

Para terminar: este vosso humilde servo é um perfeito Pateta o ano inteiro... e no meu caso sei que é por pura burrice+desatenção+cegueira e possivelmente mais uma ou outra doença ainda não diagnosticada. Eu, mesmo sem eles por perto, caio SEMPRE nas mais "belas" histórias de amor, no "fado vadio" do coitado do desempregado, no "emprestadado" e sem bem calha, dou a camisa porque ainda penso: "Oh pá tá frio mas se tens corpinho bem feito é pra mostrar!".

Portanto, este ano, decretou-se entre os 4 mosqueteiros do Eclipse: andamos mascarados o ano inteiro... Como tal fica-se em casa e não se fala mais nisso!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Imaginário XXXVI

Enquanto esperava pela sua vez na consulta, naquela sala de espera tão familiar, observava as pessoas.

Observava que as pessoas chegavam tímidas. Observava que as pessoas sussurravam um cumprimento cabisbaixas como se um simples “boa tarde” fosse perturbar a timidez de todos os outros.

Observava que poucos traziam algo para fazer – deviam ser os inexperientes ou talvez crédulos que daquela vez é que seria a vez que seriam atendidos na sua vez e via-se pelo seu olhar, que dava para distinguir uns de outros, que uns ficavam exasperados olhando para as horas e suspirando e que outros se sentavam expectantes.

Observava que alguns perdiam o olhar na jarra, talvez pensando quem se daria ao trabalho de substituir as flores: se a recepcionista se a empregada de limpeza. Observava que outros vagueavam o olhar pelos quadros que não compreendiam. Perguntava-se se gostariam da combinação de formas e cores, se apaziguaria as suas ânsias fosse qual fosse o motivo que lá levasse tanta gente de meios tão variados.

Distraía-se das suas observações e divagava nos pensamentos: que na morte e na doença não há classes. Todos sofrem de maleitas, todos morrem e depois de mortos todos são iguais e vão para o mesmo sítio. Irão mesmo? Dava por si a perder-se no olhar de cada pessoa que via, nos seus modos, nas suas vestes, no que cada um seria mesmo face ao que mostrava ser.
Inevitavelmente, em situações onde partilhava o espaço com desconhecidos – fosse nos transportes, fosse em seminários, fosse na praia, dava por si a reparar em tudo o que caracterizava as pessoas e a divagar sobre a sua teoria dos equilíbrios. Uma espécie de lei da física sociológica que leigamente ia desenvolvendo para si e que por muito que pensasse e observasse nunca chegava a conclusão nenhuma.

Via pessoas de ar mais cansado. Onde estariam as pessoas felizes? Para cada pessoa cansada haveria uma em igual grau mas em sentido inverso (quase como se pudesse aplicar um vector) descansada?

Via pessoas gordas. Haveria tantas pessoas gordas como magras?

Via pessoas de cabelos longos, outras carecas. Se uma é careca então seria porque alguém de cabelos longos teria ficado com a sua parte de cabelo.

Perguntava-se se também os outros pensavam estas teorias quase absurdas. Quantas pessoas estariam a desenvolver uma lei das compensações, como lhe chamava, semelhante à sua, baseada no princípio de que para cada compensação terá que haver uma descompensação?

Mergulhava os olhos na revista que trazia sempre consigo enquanto esperava a sua vez para que ninguém percebesse o que estaria a pensar, receava que os seus pensamentos pudessem ser lidos. Segundo a sua própria lei das compensações, para cada pessoa que não é capaz de usar o sexto sentido outra pessoa seria capaz de desenvolvê-lo, apurá-lo e (quase de modo receando de uma conspiração) usá-lo sem se esforçar para isso. Estaria ali alguém com alguma dessas capacidades telepáticas? Estaria ali alguém capaz de ouvir o que pensava?
Ao olhar de novo em volta os seus olhos fixaram-se em outros olhos que sim, poderiam muito bem estar a ouvir o que pensava. Se ao menos dessem um sinal…

Nada.

- Sr. Martins
- Eu?
- O Dr. diz que pode entrar.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Vivências 71...


Hoje, depois de uma longa jornada de procura disto e daquilo, dei comigo na Rua do Ninho...
Já não a visitava desde os tempos em que fui sinceramente feliz. Sabia-a para aqueles lados mas, já não me lembrava do sitio certo.

Ali encontrei muitos amigos...
Ali fizemos muitas jantaradas...
Ali trocámos muitas ideias...
Ali muitos de nós tivemos as primeiras paixões...
Ali...

Não aqui. Por isso, voltei!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Experiência 34


Há uns anos conheci um "rapaz" que mais tarde se tornou meu amigo, depois mestre e, recentemente, desde que cresci que se tornou "a real big pain in my ass".

Mas não é por isso que escrevo hoje...

Nop, escrevo porque uma das mais "apreciadas" e repetidas saídas que ele tinha era: "(...) e partia-lhe os queixos!"

Uma vez chateou-se com o namorado de uma amiga em comum e: "Palhaço do tipo, mais um bocadinho e parti-lhe os queixos!"

Numa saída nocturna em que ficou um pouco "entornado", mandou vir com o taxista e: (Ladrão a querer dar uma volta maior, mais um bocadinho e parti-lhe os queixos!"

Comigo certo dia, depois de lhe recusar um favor bem tolo por sinal, ficou lixado e: "Não fosses meu amigo e partia-te os queixos!"

Até com a família e a namorada em jantares de comemoração quando a coisa dava pró torto: "(...) mais um bocadinho e partia-lhes os queixos!"

Já referi que ele era motoqueiro convicto? Não?! Pois, mas era! Nas saídas nocturnas como abusava sempre um pouco, lá se deixava de paixonetas por duas rodas e vinha sempre pedir boleia. Antes de entrar no carro lá lhe dizíamos: "Oh pá não se diz partia-lhe os queixos, porque no fundo, se pensares bem, 1 pessoa = 1 queixo, percebes?". Enquanto a mosca não lhe mordia, lá ia dizendo que sim mas, depois do segundo copo... era para esquecer!
Sempre o avisámos que deveria ter juízo que não estava a ficar mais novo e que o capacete que tinha era ridiculamente perigoso e pequeno. O tipo tinha um chapéu de hipismo em vez de capacete... era de ir ás lágrimas...

E foi mesmo! Mais lágrimas dele do que nossas. Passo a explicar: Um dia enquanto olhava para trás para um tipo (de carro) e enquanto lhe chamava belos nomes que até ali no Intendente faria arrepiar qualquer senhora, não deu conta que o cavalheiro da frente - outro camarada motoqueiro - travou.

Concluindo, foi... de queixos ao chão e andou a beber sopinhas por palhinha de meia-em-meia hora, durante 4 meses.

Lição: Os capacetes podem ser giros mas se ameaçam fazer aquilo que passamos a vida a prometer aos outros, então é melhor ter cuidado e falarmos antes de pensarmos... ou será ao contrário??????

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Porque niguém morre para mim

Ignorar?

Telefonar? Para dizer o quê?

Atender? Para ouvir o quê?

Faz falta? Não pode fazer falta.

A 1ª dúvida mantém-se, se ignoro morre e isso não é bonito, mas também não pode viver comigo…

A 2ª e a 3ª o que poderei ter para dizer que não tenha dito já e o que poderei ouvir que não tenha ouvido já. Conversa que não me agrada, conversa talvez forçada que espremida é como uma laranja choca. Se houver novidades porque não?

4ª Não pode mesmo. É proibido, mas só para mim é que é proibido. Os outros podem fazer falta, eu não!

(Fonte devidamente identificada)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Vivências 70...


Em miúda tinha o sonho "tolo" de encontrar alguém que me completasse, ainda que não soubesse muito bem o que seria isso... sempre intuí contudo, que estava intrinsecamente ligado ao cheiro.

Tinha aquela sensação da essência do perfume do corpo humano que, uma vez cheirados todos os possíveis, chegasse aquele que me arrebatasse de tal forma que seria impossível eu não saber que era o "the one":

O coração acelaria descompassadamente.
O pensamento centrar-se-ia e focar-se-ia intensamente.
Toda a recordação daquele cheiro me faria sorrir.
Teria a noção de que não poderia passar muito tempo sem o cheiro por perto.
Quereria partilhar tudo com esse cheiro: o mais intimo, o mais banal.
Saberia o que era a felicidade sem saber explicá-la.

Mais tarde, em adulta, não mais esqueci que esta descrição era o sinonimo de amar e que estaria, indubitavelmente ligada ao cheiro.

Já me chamaram Jean Batiste... E nesses tempos soube/entendi bem o que era amar.
Nunca precisei de amar antes para saber amar depois mas...

Mas o perfume permanece!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Experiência 33



Nada a dizer...
Nada a fazer...

Nada, para além de mais uma vez:
levantar,
sacudir a chuva dos ombros,
caminhar por entre as dores musculares,
sorrir quando este já nos sai automaticamente,
cumprimentar por uma questão de educação,
fechar a porta,
recordar que ali ajudámos e não nos ajudaram,
lembrar a lição,
não olhar para trás,
trazer os poucos apontamentos que tínhamos,
esquecer nomes
não recordar caras,

querer apenas aquele abraço, daquela pessoa,
ter cosnciência que apesar de tudo não foi tempo perdido,
saber que talvez tudo aconteceu apenas para no momento final ouvir: então e agora? Como vou passar sem o nosso café da manhã? Sem o teu sorriso quando tudo corre mal?

Nada a fazer...
Nada a dizer...
Apenas recomeçar!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Imaginário XXXV

Lembras-te das nossas conversas, aquelas longas conversa, tu sentavas-te numa ponta e eu noutra, eu com uns ideiais e tu com outros, eu com um modo de ver as coisas e tu com outro.

E foi assim que fomos crescendo, sempre lado a lado, sempre ali para o que desse e viesse.

Foi no meu ombro que choráste tantas vezes e eu no teu chorei outras tantas.

Não sei se ainda te lembras. Acredito que sim.

Lembro-me particularmente de uma noite, foste a minha casa - já eu tinha casado - , estávamos apenas nós. Perguntáste se eu era feliz.
Na altura perguntávas-me muito isso. Eu respondia genuinamente feliz que era feliz. E tu ficavas feliz por mim mas eu via o teu olhar triste.

Perguntava-te quando serias feliz. Tinhas sempre muitos projectos a alcançar antes de seres feliz. então eu reformulava a pergunta e perguntava quando é que nos teus planos encaixava a felicidade, mas tu respondias sempre o mesmo: que ainda tinhas que acabar o curso, depois fazer o mestrado, depois ir trabalhar nem tu sabias para onde - para um sítio qualquer, depois viria o doutoramento só depois casarias e casarias se desse, não era uma prioridade. Eu queria acreditar que esses eram os planos para a tua felicidade. Queria acreditar que serias feliz assim, com todos esses projectos a envolverem-te e comandar a tua vida.

Perguntávas-me se eu não me arrependia. Arrepender de quê? Respondia eu.

Lembro-me de te dizer na altura que parecíamos jovens de 20 e poucos anos mas que o tempo ia passar mais depressa do que pensávamos e que um dia ias olhar triste para as tuas fotografias, artigos publicados (sim, ias publicar imensos artigos em revistas da especialidade), calhamaços de livros temáticos nas prateleiras, especímenes únicos embalsamados e numa vitrine, irias ter mil histórias para contar e não irias ter ninguém que as ouvisse. O teu modo de vida não iria (temia eu) permitir que estabelecesses relações duradouras com ninguém.

Os anos entretanto passaram. Tanta coisa mudou na tua (minha . nossa) vida, tanta coisa permanece igual.

Encontramo-nos regularmente mas já não falamos de planos nem de sonhos, esses foram sonhos um dia, sonhos que se sonham uma vez numa época e que não podem ser depois os pesadelos do futuro.

E quando não se quer ter pesadelos no presente porque os sonhos do passado não se concretizaram no futuro, falamos apenas do estado actual das coisas, da crise, dos preços, das modas, dos outros, do hoje.

Jamais se fala do futuro - sabemos que o futuro é o que ele quiser ser e que apenas damos um ligeiro empurrão. Jamais se fala do passado. Aceita-se apenas o presente.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Pitchshifter - Genius

GeeeeeeNiiiiUUUUUUUUUUUUUUUUuuuuuuuuuuuuuuSSSSSSSSSSsssssss...!!!


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Vivências 69...


No único fim-de-semana com dinheiro...
Na única altura do mês que me deu na "real-gana" para dar "uma volta"...
Tudo, literalmente: por água -abaixo!

Tenho de aprender a ver o tele-jornal... ou pelo menos o tempo.
Ou pelo menos ter uma uma tenda mais forte.
Ou pelo menos... ter mais juízo!!!!!
God Damn!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Experiência 32

S. João... Batista!

Estou farto de lhe dizer...
Tenho uma amiga que, intermitentemente, caminha em terra seca ou se afunda em lodo existencial.

Ora é infeliz porque a vida a arrasta para situações de que não pode fugir, ora é infeliz porque contrariando a vida cria situações das quais não quer sair.... "Contratos" com os de sempre umas vezes, "exigências" familiares outras e cobardia outras ainda... Resumindo, infeliz é sempre... pelos outros ou por escolha própria.

Duvidando da felicidade em si, vai da auto-comiseração (falsa) à soberba da superioridade moral, projectando a sua sombra sobre os demais, como uma guilhotina que se desenha na parede, ao nascer do dia fatal, para o condenado.

Entre decisões que não são nunca definitivas, entre relações que nunca são de entrega, entre amores que não são nunca assumidos ou promessas que são sempre adiadas, vai colhendo os motivos para continuar a perder o pé e a face.

Orgulhosamente só, caminha sobre a terra batida, de dedo em riste, sem alvo fixo.
Lamentavelmente só, afunda-se no lodo da indefinição, num mea culpa aflitivo.

Permanente, na vida: só a bandeja, onde umas vezes passeia a própria cabeça e a maior parte do tempo exibe a cabeça de quem recusa a sua filosofia do: Faz-me mal, que eu faço-te mal e assim seremos infelizes, como manda a Biblia.
Estou farto de lhe dizer... mas...


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