quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Experiência 22


Tenho tido uns dias complicados e sem dúvida tormentosos...
Tenho tido umas noites sem dormir e sem aparente descanso...

Já não sou quem era... e gostaria de voltar a ser, não me sinto bem na maioria dos locais e gostaria de voltar a sentir...

Está na hora, talvez não de partir mas, pelo menos de reflectir sobre toda uma existência que foi, já não é e quer em grande força, voltar a ser...

Até logo...

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Em Fogo 28 - O Clique

Há dias tive uma conversa com uma amiga especial acerca de um fenómeno, para mim de âmbito paranormal, chamado "clique". Agora perguntam vocês, que raio de coisa é isso do "clique"?? Pois bem, trata-se de uma sensação que nos diz se sentimos, ou não, algo mais forte (leia-se paixão, atracção ou amor) por alguém.
Confusos? Se ficaram eu entendo pois não faço a minima ideia do que seja tal fenómeno, contudo, já tive a maravilhosa oportunidade de ouvir uma frase como "Desculpa mas não senti um clique por ti". Quando ouço semelhante coisa só imagino que, para estas pessoas, quando alguém se aproxima delas e sentem o "clique" deve ressoar género sino (mas mais soft) no cérebro ou ficam com alguma musica a tocar na cabeça como por exemplor a "Power of Love" dos Frankie Goes to Hollywood.
Eu acredito tanto nesse fenómeno como no pensamento positivo repetido do livro "O Segredo" da Rhonda Byne (eu bem digo todos os dias que vou ganhar o Euromilhões mas não há meio de sair!!). Acredito em atracção, acredito em conhecimento, acredito num toque, acredito num olhar seguido de diálogo mas, um "clique" instantâneo, para mim não serve.
Eu explico: em minha opinião, o tempo ajuda a que tudo se molde e só um contacto mais estreito com a outra pessoa poderá, ou não, demonstrar que vale a pena continuar ou manter apenas a amizade (um dos luxos cada vez mais raros neste Mundo). Uma pessoa que pareça não ser o nosso género ou não ter nada em comum, numa primeira impressão, possa revelar-se ao longo do tempo o seu contrário ou não... só o conhecimento aprofundado dessa pessoa me pode dizer se vale a pena arriscar mais que a amizade.
Aquelas pessoas que dizem não sentir o "clique" e, com isso desistem de ver mais do que a amizade, fazem-me confusão... no entanto respeito-as. Será que a causa disto reside num Mundo cada vez mais veloz e onde não se pode perder tempo? Um Mundo onde conversar, trocar impressões, dialogar por horas pareça cada vez mais dificil? Um Mundo onde preferimos olhar a aparência em vez de olhar para dentro da pessoa? Um Mundo onde preferimos vir ao "Momento da Verdade" revelar o intimo para ganhar 250 mil euros em vez de falar desses assuntos com quem de direito ou ficar calados de todo?
Eu sou da opinião que devemos arriscar, lutar pelo que vale a pena, sentir sem medo e dar um passo à frente em vez de dois para trás mas, lamento, comigo o "clique" não funciona e ate acho piada a musica dos Frankie Goes to Hollywood (em doses moderadas).
Com "clique", ou sem ele, conversem, conheçam as pessoas que vos rodeiam, tentem saber mais, sejam curiosos e talvez valha a pena o esforço.
Carpe Diem.

sábado, 11 de outubro de 2008

Resumo da semana I

Tenho andado a magicar sobre o que escrever, mais por excesso de temas que por falta deles e ainda não me decidi.

Tinha pensado escrever sobre o fecho do meu Blog que era para não ter nome mas teve de ter, ou sobre o tão falado tema da semana que é o descalabro da economia mundial e de como as pessoas entram em pânico (ainda ontem, no messenger, tive uma pessoa em quase histerismo a dizer-me para levantar dinheiro do BPN porque sabia de fonte segura que ia fechar. Não digo que não seja verdade, mas calma...!) - é caso para preocupações mas vamos lá a aguardar, sim? - e até tinha pensado escrever sobre uma coisa que ontem tinha estado a falar com a minha amiga C. (uma delas, porque quando me pus a pensar nas minhas amigas, as três grandes que tenho, verifiquei que os nomes de todas elas começam por "C".), aquela que geograficamente está menos acessível, e que comentava comigo que seríamos eternamente a geração à rasca.

Bem, sobre o meu blog não tenho afinal muito para dizer. Deixou de me dar prazer.
Não, não foi escrever nele que deixou de me dar prazer... os que me liam atentamente e com o que eu chamo "olhos de ler" conhecem-me o suficiente (de certeza, e se não sabem isso foi porque nunca leram com os tais olhos de ler) para saber que eu não consigo ficar sem escrever. Por muito parvas que as coisas sejam, são as minhas coisas parvas. No fundo o que me deixou de dar prazer foi escrever neste bairro que cada vez tinha uma vizinhança mais invasiva, ao género de num dia não estamos em casa e levam um pezinho de salsa emprestado deixando um bilhete sem agradecimento, nós calarmos porque mais pé menos pé não há crise e quando reparamos foi-se o vaso e nós sem coragem de abrir a boca (Thunder, isto não te faz lembrar dois vasinhos que demos a uns certos jardineiros, pois não??).
A bem dizer isso foi uma das partes que contribuiu para o todo. Esta vizinhança tem o hábito de fazer algo que tenho as minhas reservas que é justificar-se por tudo e por nada. Eu não sou assim. Não gosto de me justificar nem gosto de ler / ouvir justificações. Se as pessoas são as certas não precisam delas para nada. Para as dar às erradas mais vale ficar calado - se são erradas não saberão o que fazer com elas. Por isso um dos outros factores (estes dois directamente ligados à blogosfera) foi pôr um espelho no ditado que diz "nas costas dos outros vemos as nossas" e começar a ver as dos outros nas minhas.

E pronto, blog arrumado. Sim, arrumadinho num canto diferente, ou acham que ia deitar fora todos os meus quase 5000 posts, alguns deles tão pessoais que só eu sei ler o que lá está escrito e alguns tão profundos que nem eu me lembro de onde vieram?

Depois há o tema da crise financeira. Nos EUA a bolsa não estava tão em baixo desde 1933. Em Portugal se não estou em erro foi há 30 anos. E pelo resto do mundo não sei nem me interessa. Não sei porque não percebo mesmo nada de economia - a não ser a doméstica, onde sou mesmo muito boa (sem falsas modéstias) e consigo gerir os poucos recursos que esta empresa que são os Thunder's tem e por vezes ainda conseguimos lucro, mesmo que baixo - e não me interessa porque tudo tem uma sequência cíclica e agora está em baixa amanhã vai estar em alta e a vida continua, não pára só porque as bolsas estão em queda - não pára para alguns porque decerto muitos já se mandaram da janela abaixo em Wall Street - e a minha vida pouco se rege pela bolsa que pobre que se preze felizmente não tem muito a perder - do mesmo modo que muito nunca há-de ganhar.

E no seguimento deste tema encaixa-se a conversa com a C. A famosa geração à rasca. À rasca desde a concepção na época tumultuosa e indefinida do pós 25 de Abril de 1975, à rasca por ter sido cobaia de uma série de políticas experimentais no campo da educação até se descobrir que o modelo está em não educar mas impingir conhecimento, à rasca com os desempregos - desemprego é na nossa geração uma profissão extenuante - à rasca porque estando na transição entre as épocas pré e técnológica poucos acreditam que saibamos fazer o que quer que seja, à rasca porque basta dizer que estamos na casa dos 30 para sermos catalogados como uma porcaria de gente que nasceu na geração errada. Pior que tudo seremos ainda a geração à rasca na 3ª idade porque vamos apanhar o completo colapso do sistema de segurança social e tendo essa visão 40 anos antes sabemos que desempregos + baixos salários são incompatíveis com poupanças para sobreviver na reforma.

Assim, o que nos resta?

Resta aguardar que se confirme o fim do mundo em 23 de Dezembro de 2012 conforme previsto pelo calendário Maia.
Até lá pondero viver estes últimos 4 anos da minha vida como nómada e arranjar sustento em feiras a fazer terérés.

Até tenho um slogan: "Prepara-te para o fim do mundo. Aproveita a promoção téréré. Na compra de 10 oferta do 11º".




quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Vivências 52




A esterilidade é em algumas pessoas infinita...

E foi por conta da mesma que, o desemprego é hoje uma realidade para mim... Não o digo por "queixume ou sequer vendetta" mas, por ser realidade.

Quando criamos, sem saber, a Faculdade da Irrelevância Comparada, criamos os pequenos "monstros" que se tornam nossos "chefes": chefes de projectos, coordenadores de formações... ... ... enfim: "chefinhos" de mediocridade sublime e gente sem dúvida, incapaz!

Em vez de terem Psicologia do Comportamento Desviante, tiveram Gramática do Desvio, em vez de lerem sobre História e Sistemas da Psicologia perderam visão nos livros de História da Agricultura Antárctica... e depois, bem depois, foi todo um "chorrilho" de infelicidades de disciplinas que devem terem "calcorreado" aquelas pequenas mentes: Urbanística Cigana, Hipismo Asteca, Morfematemática do Morse, História da Pintura da Ilha da Páscoa, Literatura Suméria Contemporânea, Instituições de Docimologia Montessoriana, Filatelia Assírio-Babilónica, Tecnologia da Roda nos Impérios Pré-Colombianos, Iconologia Braille, Fonética do Filme Mudo, Psicologia das Multidões do Saara... enfim, toda uma "panoplia" de raciocínios estúpidos mas, sempre com muita agudeza...

Concluindo... são estes que comandam o País, são estes que comandam Projectos que, sem eles estariam melhor, são estes que culpam os outros pelas suas asneiras e, em última análise, são estes que lixam a vida do cidadão que paga impostos, que é cumpridor mensal do pagamento da sua segurança social mas, que também, como estão no recibo verde... também são estes que ao serem despedidos, não têm direitos... como sempre SÓ DEVERES!

Mas já diziam os ABBA - correndo o risco de ser "pirosa" - "The winner takes it all, the looser as to fall!"

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Experiência 21


"A muito tempo atrás numa galáxia muito, muito distante..."

Que é como quem diz hoje, ou ontem ou coiso... alguém me dizia que não valia a pena escrever ou, ter ideias muito profundas acerca de grande coisa porque, as pessoas não só não são capazes de dialogar sobre elas, sobretudo se for dito algo que lhes desagrade e/ou vá contra a sua opinião mas também porque, são raros os "carolas" e eles, dizia a amiga, não frequentam a internet...

Concordei logo de seguida dizendo que, eu também não vejo a Fátima Lopes, não sei o que é a net nem sei o que raio vêem a ser "novelas portuguesas"... Depois de um aclamado VIVA, ainda disse: Ah, e lembrei-me agora mesmo que nem telemóvel tenho!!!!!!

A loucura foi total e o êxtase proliferou por toda a sala...

Fiquei todo feliz e orgulhoso e coiso e mais não sei o quê... foi do Caramba!

Contudo, alguém teve logo de cortar os meus 5 segundos de felicidade dizendo "Atão e a votação da Assembleia de 10 de Outubro hem?"... aí a coisa estalou! Não fazia a mínima do que falavam, esqueci-me que também não via o telejornal nem o canal da Assembleia... ous eja: estava Frito!

Uns gritavam: Sempre a Favor!
Outros: Contra obviamente!

E de repente, como quem não quer a coisa saiu-me um: Mas que raio de PANELEIRAGEM vem a ser essa do 10 de Outubro??????

Hoje doem-me as costelas, a cabeça, o baço (que não sabia ainda ter) os rins... e, não sei porquê: o CU! Bolas e continuo sem perceber nada do que é que eles queriam...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Vivências 51


"Creio que o mais difícil talvez seja agir correctamente." dizia ontem, uma amiga enquanto falámos daquilo que fomos passando pela vida...

Com razão claro está, cheguei a uma outra conclusão: agir correctamente não é difícil, se agirmos de nós para nós, sem os outros à mistura é fácil.
Se agirmos de nós para nós, sem a opinião dos outros a sobrepor-se à nossa, é fácil.
Se agirmos de nós para nós, sem os outros nos darem razões para estarmos enganados, é fácil.
Se agirmos de nós para nós, sem termos coração cá dentro, é fácil.

O problema só se coloca porque no meio do certo e do errado, do preto e do branco, há uma infinitude de cinzentos que literalmente nos fazem duvidar e, na maioria das vezes, nos faz agir... menos... correctamente...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Experiência 20


"Pecado não é só o mal que cometemos. Pecado é também o que desejaríamos, mas que não temos forças para levar a cabo."

Esta frase era muitas vezes usada pela minha avó ainda num tempo em que o ar era doce e cheiroso, como se, algures tivessem deixado aberto um enorme frasco de compota, nunca achei que ela estivesse correcta, sempre o disse, agora com o passar dos dias, da idade acho que cada vez tem menos razão na sua afirmação... penso apenas que o dizia porque estava magoada, com ela em algumas coisas, com o mundo noutras...

Sentei-me no jardim, pela última vez com ela num dia, pouco tempo antes dela morrer... o chá resfriava, brilhava o sol. Já inquietas, grulhavam as aves. A Primavera chegava. Ocorreu-me que esta era a altura favorita do ano para a minha avó, dizia ele que esta estação, apesar de "(...) comprometer o equilíbrio da razão e das emoções é também a que melhor permite que nos sintamos mais gente."

Tinha-lhe contado que tinha terminado uma relação mas que me deixou muito doloroso... não só porque senti que essa namorada tinha levado parte de mim, da minha alma mas também porque ainda a desejava e agora, por muito que quisesse ela partia para um novo emprego e não mais nos veríamos... A minha avó olhou-me prolongadamente, limpou-me uma das lágrimas que estava a cair solitáriamente pela face e disse com o seu ar calmo de sempre: "Um engano maravilhoso, de que emerge tanto sofrimento, mas igualmente, esplendor: feitos heróicos, obras de arte, maravilhas do engenho humano. Tu, agora, vives nesse estado de espírito, sei... mas se bem te conheço em breve ele passará... se não passar poderás sempre pensar que isso só faz de ti mais rico, mais forte e com mais calo para não caíres na próxima situação!".

Continuámos a beber o chá que mesmo frio estava saboroso... hoje verifico que ela tinha razão mas, eu, ao contrário daquilo que ela tinha vaticinado, continuo sem aprender nada e a apaixonar-me por quem faz com que, mais cedo ou mais tarde, emerja de novo, o já conhecido, o já experimentado e vivido: sofrimento!

Avó, gostava muito de ti mas, tínhamos versões racionais e sentimentais muito diferentes acerca da vida!


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