terça-feira, 25 de setembro de 2007

Em Fogo 1 - Incompreensões

Alguma vez se questionaram sobre o que é não ouvir? Não conseguir distinguir a voz da nossa mãe ou a melodia de uma música?
Ter uma deficiência auditiva é sempre limitador, contudo, a pessoa em causa não pode nunca desistir de lutar e sonhar. Não ouvir, ou ouvir pouco, não implica aproveitar menos a Vida... um surdo pode dançar desde que se encoste a uma coluna de som e sinta a vibração da música; pode tocar e/ou sentir o toque de outra pessoa; pode olhar e apreender toda a beleza do Mundo que o rodeia; pode saborear o paladar das coisas boas da Vida...
Infelizmente, existe um elevado grau de preconceito da sociedade, sustentado pela falta de capacidade em aceitar aqueles que são diferentes e uma imensa dificuldade em comunicar para quem tem uma deficiência auditiva num Mundo que abusa da palavra falada e não se preocupa com os outros. Contudo, um surdo pode viajar e sonhar nas páginas de um livro de uma forma totalmente submersiva e superior aos outros, dado que todo o ruído externo é eliminado.
As pessoas que não comunicam isolam-se e sentem um profundo abandono, mas será que alguma vez repararam na alegria e vivacidade de uma conversa em linguagem gestual? Não são apenas as mãos que mexem, mas também o corpo e os olhos.
Existem ainda aquelas pessoas que necessitam de usar aparelho auditivo, contudo e ao contrário do que se possa pensar, não é algo fácil já que têm de reaprender a ouvir, aprender a lidar de novo com as vozes que sempre conheceram separando-as do zumbido constante dos ouvidos. Muitas vezes quem tem aparelho auditivo precisa de ter paciência porque não se apreende logo a letra de uma música ou o que os outros nos dizem.
No fundo, ser surdo ou usar um aparelho auditivo, não é desculpa para baixar os braços e deixar a Vida passar... porquê ter vergonha (como existem pessoas que a têm) de usar um aparelho quando as pessoas que nos amam gostam de nós pelo que somos?
O mais importante reside no estreitamento do relacionamento entre surdos e pessoas "normais" porque, no fundo, todos falamos e sonhamos na mesma linguagem. Para finalizar pergunto: "o que é ser normal?" O conceito de normalidade varia consoante quem os apresenta, mas de uma coisa eu posso afirmar, viver continua a ser um desafio maior do que lamentar aquilo que poderiamos ser.
Carpe Diem.

10 sakês:

Me Hate disse...

O conceito de normalidade, é uma anormalidade, criada pelos psicólogos!
À nossa forma, todos somos um pouco normais, todos somos um pouco anormais e acima de tudo, todos nós mas todos, mesmo, temos os nossos momentos de anormalidade e de "parte da matilha"!

Thunderlady disse...

Quantas vezes não somos nós próprios a minimizarmo-nos e a vitimizarmo-nos?

Somos sem dúvida o nosso pior inimigo.

E um oficial tchim tchim de inauguração do menu de terça-feira :)

Carpe Diem disse...

Me Hate... concordo plenamente contigo, a maior anormalidade é viver neste Mundo de forma "normal", isso sim é radical.

Carpe Diem disse...

Thunder, concordo plenamente mas o meu texto é mais no sentido de incentivar essas pessoas a verem o lado belo da Vida... nós criamos limitações que não temos.

Obrigado pelo brinde e espero que este seja o primeiro de muitos "fogos" :)

Cai de Costas disse...

Do caraças...

pensamentosametro disse...

Só te digo uma coisa, um beijo enorme a acompanhar um abraço grande quente e envolvente, não, não me passei, a tua cruzada contra o preconceito existente pelos ditos diferentes é também a minha, se quizeres entender melhor lê alguns textos sobre a minha M. lá pelos pensamentos.

Tita

pensamentosametro disse...

Ah, pois é, se quiseres receber convite para a folha envia endereço de e-mail para:

Titablog@gmail.com

Carpe Diem disse...

Cai... quis salientar que nem todos somos iguais, infelizmente, mas não será isso também uma forma de estar na vida?

Carpe Diem disse...

Tita... muito obrigado pelo comentário e irei enviar um mail sim porque gosto sempre de ler textos contra a descriminação qualquer que ela seja... ainda acrescento que a descriminação é a forma como algumas pessoas olham erradamente as outras... nestes casos somos sempre mais fortes e realistas!!

Cai de Costas disse...

Todos diferentes, todos iguais.
E este blog é prova disso mesmo - uma vez que nem a cara uns dos outros conhecemos, certo?


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