terça-feira, 23 de outubro de 2007

Em Fogo 5 - Solidão

Solidão... palavra triste... fado doloroso... como uma racha na madeira mais pura... estar só quando não se tem ninguém ou quando nos encontramos no meio da multidão.
Hoje em dia vive-se num Mundo feito de ambição, individualismo, escassez de tempo para olhar/sentir/tocar, corre-se por tudo e por nada, mesmo não saindo do mesmo sitio. Qual o prazer que se pode ter da vida se esta não passa de uma constante rotina e o mais duro é saber que apenas se vive uma vez e não se pode repetir.
A solidão pode ser ultrapassada com uma palavra, um olhar compreensivo, um telefonema que não é esperado, um toque ou, pura e simplesmente, um silêncio onde as duas pessoas se entendem como se de um diálogo se tratasse.
O que nos faz mais sós? O medo da entrega ao outro, mesmo que numa simples relação de amizade? A desconfiança pelo que é diferente? A indiferença perante as dificuldades dos outros, desde que não nos atrapalhem? Custa-me acreditar que o facto de algumas pessoas serem "diferentes", qualquer que seja o conceito de "normal", não possam por isso ser felizes.
Pode ser como uma ponte que a solidão vai corroendo e temos de optar entre ficar num pedaço dela sem fuga possivel ou saltar rumo ao desconhecido e, talvez, fazer outra pessoa feliz. Se é tão bom dizer a alguém "gosto de ti", porque será que muitas pessoas não o dizem? Existe antes uma enorme facilidade em dizer "amo-te", muitas vezes sem sentimento ou significado, e isso de que adianta?
Estar só pode ser bom em algumas alturas, contudo, ninguém consegue ficar sozinho toda a vida... acima de tudo sejam felizes e procurem as rachas da vossa madeira e recuperem-nas com um simples "gosto de ti".
Carpe Diem.

7 sakês:

wednesday disse...

Só nos lembramos desses pormenores, infelizmente, quando algo pior acontece. Tens razão, deviamos usar mais vezes e com mais verdade.

pensamentosametro disse...

Já te disse antes, e repito "gosto de ti", como te perfilas perante a vida como lutas e como olhas para as coisas e as pessoas.

Beijos

Tita

Aisling disse...

Não tenho o hábito de dizer 'amo-te', aliás, digo-o espaçadamente de tempos a tempos porque assim encerra em si todo um significado que se perderia se fosse banalizado. No entanto, digo imenso 'gosto de ti'. Faz sentido?

Carpe Diem disse...

Wednesday... infelizmente tens razão, mas se procurarmos ser mais vezes sinceros connosco próprios vamos ser capazes de dizer o que sentimos...

Carpe Diem disse...

Tita... muito obrigado e espero poder continuar a partilhar aqui pensamentos e ideias... o tal texto que me atrasei (da Terça passada) já foi feito, olha mais abaixo :)

Carpe Diem disse...

Aisling... para mim o que dizes faz todo o sentido porque o problema reside mesmo na banalização da palavra "amo-te", principalmente quando ela é dita sem sentido.

As coisas preciosas não se devem usar muito, mas serem usadas nos momentos certos. Se dizes imenso "gosto de ti" então fico contente porque isso é realmente importante!!

Thunderlady disse...

"Gosto de ti" é, para mim, mais puro, mais sentido, mais ingénuo que o "amo-te".

Já o "amo-te" encerra zonas mais dúbias, de conceitos mais abstractos. No entanto, sendo ambos sentimentos, amboas são abstratos...

"Gosto de ti" é de uma pureza quase infantil e por isso mais genuína.


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