Hoje é sábado e hoje apetece-me vir aqui ao sushi, mas apetece-me ficar em silêncio.
- Não, não tenho nada, está tudo bem.
Hoje é o meu dia de apresentar um tema e de se reunirem à minha volta mas não me apetece que se reunam à minha volta nem me apetece apresentar um tema porque o tema que me invade a mente é meu, íntimo, privado e não quero falar dele, quero ficar no conforto do meu silêncio mas quero vir aqui e sentar-me com vocês e sentir o conforto da vossa companhia e quero ouvir as vossas vozes comungarem do meu silêncio e... quero ficar aqui sossegada, quieta, olhar-vos, ver os vossos gestos.
- Não, a sério, quero apenas estar calada.
Hoje quero estar aqui. Estar, apenas estar. Existir aqui, existir com vocês, em silêncio. Quero fixar os vossos sorrisos, os vossos gestos, as vossas vozes.
- A sério. Posso estar apenas aqui?
Não estou à margem, não me marginalizem. Quero estar aqui e participar silenciosamente. Olhar-vos nos olhos e absorver as vossas expressões, o modo como se entregam ao que acreditam, ouvir-vos falar mais alto no entusiasmo das vossas exposições. Eu sei que é a "minha vez" e que não vim a semana passada.
- Preciso de estar convosco e preciso de o fazer em silêncio. Não estou aborrecida, não estou triste, não estou evasiva. Preciso participar de outro modo.
Porque teimam em querer acreditar que estar em silêncio é sintoma de algo? Sintoma pressupõe doença e não há doença, logo não há sintoma, logo não há problema logo não pintem quadros que não existem.
- Está tudo bem.
Sorrio. Beberico mais um golo. Olho-vos um a um e fixo-vos os olhares, os gestos, as vozes, as expressões, as feições, o entusiasmo, as distracções. Gurado-vos a todos na bagagem da minha alma. Respiro-vos, sinto-vos. Sorrio.
- Obrigada.
sábado, 1 de março de 2008
Imaginário XXIV
Hoje é sábado, dia de reunião aqui no sushi, dia de nos "sentarmos" na mesa baixa, dia de expôr uma ideia e alimentar a conversa que todos construimos.
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3 sakês:
Gostei, de repente fui mesmo "transportado" para um restaurante japonês com um bel prato de sushi e uma sakêrinha na mesa...
Eu aida aqui estou a acabar de comer, enquanto sorrio para ti.
O silêncio não é sintoma de nada, apenas de partilha... o mais dificil na vida é partilhar um silencio e eu continuo sentado a ouvir os teus pensamentos.
Com um sorriso te retribuo o momento, quando quiseres não precisas falar porque a verdadeira amizade nasce de um olhar.
Beijos
Nuno.
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