terça-feira, 23 de setembro de 2008

Em Fogo 26 - Fuga Surreal

Subia as escadas em formato de caracol com um sentimento opressivo no peito,
subia sem saber porquê nem o que encontraria no cimo,
subia sem parar para respirar porque queria saber o que as curvas escondiam,
subia porque fugia do solo...
Subia porque estou farto da vida comum,
cansado da monotonia de uma vida feita de rotinas e horas certas,
cansado de lutar por um amor que não resulta,
cansado de pensar que um dia poderei ser feliz ou fazer alguém feliz...
Sempre me disseram que as coisas acontecem quando menos se esperam,
então se deixar de esperar elas acontecem?
Deixei de esperar e nada se passou, por isso, subo as escadas e
talvez encontre o sentido para a minha vida,
talvez descubra se posso continuar a sonhar,
talvez entenda o porquê de tanto azar...
Continuei a subir as escadas em forma de caracol sem pensar,
sem ter esperança que no cimo estivesse algo que me desse alegria,
sem acreditar que ao terminar a subida tivesse sorte,
sem acreditar...
Quando ia a meio da subida olho para baixo e surpreendo-me,
a escada parecia uma onda e eu seria um peixe perdido do cardume no mar?
Olhei com ainda mais atenção e reparei que a escada era azul,
sempre me disseram que era a cor da esperança e
o que será que isso quer dizer?
Subi o ultimo lanço da escada e parei no cimo em frente a três portas...
A primeira era de ouro, magnificamente executada e muito pesada e dizia:
"Se me abrires descobres tudo o que sempre sonhaste"
A segunda era de prata, fulgurante e tão limpida como um espelho e dizia:
"Se me abrires podes concretizar o que os teus olhos conseguem vêr"
A terceira era de latão, velha, estragada e ligeiramente amolgada e dizia:
"Se me abrires arriscas tudo o que tens mas serás recompensado"
Olhei as três portas e fiquei na dúvida...
Qual delas deveria abrir, ponderei, senti o toque de cada porta,
tentei ouvir qualquer barulho vindo do outro lado,
li várias vezes o que cada porta tinha escrito e...
Sou uma pessoa que gosta de arriscar disse eu para mim mesmo,
não procuro recompensas materiais mas sim a Felicidade
que não se alcança sem sacrificios e por isso,
rodei a maçaneta de latão...
A porta abriu-se lentamente e tudo estava escuro do outro lado
hesitei por segundos mas a decisão estava tomada, avancei um passo
conforme ia avançado a luz acendia-se acima de mim para iluminar os meus passos.
Fui ter a uma pequena sala onde dois focos de luz incidiam sobre um vulto numa cadeira...
Quando me aproximei da cadeira reparei em ti,
estavas linda num vestido castanho colado ao corpo revelando as formas do teu corpo,
estavas linda com um sorriso na boca e nos olhos,
estavas linda com o cabelo a tocar os ombros, solto e leve
estavas linda com os pés descalços mas com uma pulseira em redor do calcanhar.
Aproximei-me de ti e disseste:
"Aqui estou, sou assim, toma-me e eu tomar-te-ei...
Seremos um só e por isso perderás tudo o que te identifica...
Com um beijo calarás a minha boca, vem, aproxima-te"
Eu fui ter contigo, segurei-te no rosto e beijei os teus lábios doces e carnudos,
foi nesse instante que...
Carpe Diem.

2 sakês:

Thunderlady disse...

Ao longo da vida toda arriscamos sempre, mesmo quando achamos que não.

Eu acredito piamente que há coisas que não se procuram, encontram-se.

Se formos ver bem, quando a expectativa é muito elevada (porta de ouro) a desilusão ou até a exigência poderão deitar-nos abaixo. O ouro é algo dispendioso e ao memso tempo atraente... a prata está no meio termo. O latão, à partida, ninguém o quer. Reluz sem o brilho ofuscante do ouro... talvez um ouro mais pobre?

É preciso ser audaz para abrir a porta de latão. Qualquer um mais ambicioso mas menos paciente abriria logo a porta em ouro, esperando ter tudo com o que se sonhou com um simples abrir de porta mas sem esforço, e sem esforço não há recompensa, a recompensa que a porta de latão oferece.

:)

Carpe Diem disse...

Thunder,

Entendeste plenamente o meu texto, a porta de latão tem sempre mais vantagem que as outras precisamente porque precisa de esforço, luta, dedicação... qual o interesse de termos tudo "de mão beijada"?

O que é conquistado não sabe sempre melhor do que o que é dado? :)

Beijo


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